Os pacientes com doença coronariana complexa ou choque cardiogênico submetidos a angioplastia coronariana percutânea (PCI) podem se beneficiar do suporte hemodinâmico proporcionado por dispositivos de assistência ventricular percutânea como o Impella CP, que descarrega o ventrículo esquerdo e melhora a tolerância hemodinâmica durante o procedimento.

No entanto, a técnica padrão de implante femoral requer um introdutor de 14 F, que se associa a uma incidência relevante de complicações vasculares e hemorrágicas (em torno de 13%, segundo os relatos) especialmente em pacientes com artérias de pequeno calibre ou com doença vascular periférica. Em tal contexto, os autores avaliaram a factibilidade e segurança de uma técnica alternativa de implante femoral “sheathless” (sem introdutor), que evita o uso do introdutor com a hipótese de reduzir ditas complicações vasculares.
Foram incluídos prospectivamente 18 pacientes consecutivos tratados em dois centros italianos a partir de 2024. A idade média foi de 66 anos e 78% da população estava constituída de homens. A fração de ejeção média foi de aproximadamente 33%. Seis pacientes (33%) apresentaram choque cardiogênico (cinco no contexto de síndrome coronariana aguda e um por ruptura de válvula mitral) ao passo que o resto correspondia a procedimentos de PCI eletiva de alto risco em pacientes com doença coronariana complexa, incluindo doença de três vasos, comprometimento do tronco da coronária esquerda e múltiplas oclusões totais crônicas. O diâmetro mínimo da artéria femoral oscilou entre 6 e 7 mm.
A técnica consistiu em punção ecoguiada da artéria femoral cumum com colocação inicial de um introdutor de 8 F, pré-oclusão com dispositivos de sutura vascular, dilatação progressiva do trajeto e posterior avanço direto do cateter Impella CP sobre um guia 0,018”, sem utilizar o introdutor de 14 F.
Implante femoral de Impella sem introdutor com 100% de sucesso e ausência de complicações vasculares em 30 dias
A utilização do Impella por meio de técnica femoral sem introduor foi bem-sucedida em 100% dos pacientes. Em todos os casos foi possível completar a angioplastia coronariana com suporte hemodinâmico adequado e estabilidade do dispositivo. A duração média do procedimento foi de 144 ± 56 minutos, o volume médio de contraste foi de 137 ± 57 mL e a exposição radiológica média (DAP) foi de 1528 cGy/cm². A oclusão percutânea foi realizada em todos os pacientes, em alguns imediatamente ao finalizar a angioplastia e em outros após várias horas de suporte, sem reparação cirúrgica nem tratamento endovascular do acesso.
No tacante ao objetivo principal do estudo, não foram registradas complicações vasculares maiores nem menores associadas ao acesso femoral durante a hospitalização nem no seguimento de 30 dias, o que representa uma taxa de 0% nesta coorte inicial. A hemostasia foi alcançada em todos os casos por meio de dispositivos de oclusão vascular baseados em sutura, utilizados de maneira isolada ou combinados com dispositivos tipo plugue.
Conclusão: a técnica femoral “sheathless” com Impella pode reduzir as complicações vasculares na PCI de alto risco e no choque cardiogênico
Os autores concluem que a utilização por via femoral do Impella CP sem introdutor é tecnicamente factível e segura nesta série inicial de pacientes submetidos a angioplastia coronariana de alto risco ou com choque cardiogênico. A estratégia poderia reduzir o risco de complicações vasculares associadas ao uso do introdutor de 14 F e ser particulamente útil em pacientes com artérias femorais de pequeno calibre ou com alto risco hemorrágico. Contudo, trata-se de uma série pequena e observacional, motivo pelo qual são necessários estudos prospectivos e de maior magnitude para confirmar os achados aqui apresentados e definir o papel da técnica na prática intervencionista contemporânea.
Título Original: Sheathless Femoral Impella Implantation: A Safer Hemodynamic Support in High-Risk PCI and Cardiogenic Shock.
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