Os nódulos calcificados (NC) representam um dos fenótipos mais complexos de tratar no intervencionismo coronariano. Associam-se principalmente com a necessidade de uma nova revascularização da lesão tratada, fundamentalmente devido à protrusão de fragmentos calcificados e à má aposição ou subexpansão do stent. A aterectomia rotacional (AR) foi classicamente utilizada em lesões com calcificação severa, embora, conforme estudos prévios, seu benefício específico em NC não seja claro.

O objetivo do estudo foi avaliar o impacto da AR na necessidade de revascularização da lesão alvo e determinar que características morfológicas derivadas do IVUS poderiam modificar sua eficácia na patologia complexa com nódulos calcificados.
Foi realizada uma análise do registro multicêntrico japonês U-SCAN, que incluiu pacientes com NC identificados por IVUS submetidos a angioplastia (PCI). Foram incluídos 209 pacientes com lesões de novo; dentre eles, 37,8% foram tratados com AR. O desfecho primário foi a revascularização da lesão alvo (TVR) durante o seguimento. O seguimento médio foi de 2,1 anos.
Os pacientes tratados com AR apresentaram menor frequência de SCA e mostraram uma calcificação angiográfica mais severa. Na análise por IVUS, dito grupo também apresentou lesões mais complexas (maior arco máximo de cálcio, maior arco de NC, maior porcentagem de estenose da área luminal e maior prevalência de calcificação circunferencial adjacente e de calcificação contralateral). Apesar dessa maior complexidade anatômica, a AR conseguiu um maior lúmen final e um maior ganho luminal agudo.
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Ao avaliar o desfecho primário, evidenciou-se uma incidência de TVR de 25,3% nos pacientes tratados com aterectomia rotacional versus 31,5% naqueles que não foram tratados com dita estratégia (log-rank p = 0,040). Na análise ajustada, a AR se associou de maneira independente com uma menor taxa de TVR (HRa: 0,48; IC de 95%: 0,28-0,84; p = 0,010).
Entre os preditores independentes de maior risco de revascularização foram identificados uma maior porcentagem de estenose da área luminal, maior comprimento do nódulo calcificado, presença de calcificação circunferencial adjacente e uma menor MLA final.
Ao avaliar segundo a morfologia, nem todos os NC apresentaram a mesma resposta à AR. No subgrupo com presença de calcificação contralateral, a AR reduziu de maneira muito significativa a TVR, com uma incidência de 8,6% vs. 51,6% (p de não interação < 0,001). Em contraposição, em ausência de dita característica, não foi observado um benefício evidente (38,6% vs. 25,3%; p = 0,11).
CONCLUSÕES
Esta subanálise do registro U-SCAN mostra que, em pacientes com nódulos calcificados, a aterectomia rotacional se associa com uma redução significativa da revascularização da lesão alvo no seguimento a longo prazo, sendo mais efetiva no subgrupo com NC e calcificação contralateral. Por isso, uma adequada caracterização mediante imagens intravasculares poderia otimizar os resultados ao orientar na escolha de uma estratégia terapêutica mais adequada.
Fonte: Yabumoto N, Fujino M, Kiyoshige E, Sugane H, Hosoda H, Kitahara S, Fujino Y, Mitsui K, Murai K, Iwai T, Sawada K, Matama H, Honda S, Nakao K, Yoneda S, Takagi K, Asaumi Y, Ogata S, Nishimura K, Kawai K, Tsujita K, Noguchi T, Kataoka Y. Enhanced Efficacy of Rotational Atherectomy for Calcified Nodules With Contralateral Calcification: Insights From a Multicenter Intravascular Ultrasound Imaging Study. Circ Cardiovasc Interv. 2026 Apr;19(4):e015932. doi: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.125.015932. Epub 2026 Feb 11. PMID: 41669840; PMCID: PMC13098656.
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