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EuroPCR 2026 | Aterectomia rotacional, orbital ou litotripsia: a escolha do dispositivo modifica o prognóstico?

No complexo cenário da calcificação coronariana severa, distintas estratégias de modificação de placa se incorporaram ao arsenal terapêutico, entre elas a aterectomia rotacional (RA), a aterectomia orbital (OA) e a litotripsia intravascular (IVL). No entanto, seu impacto comparativo sobre os desfechos clínicos continua sendo motivo de debate. 

O estudo FRACTURE-CALCIUM foi uma revisão sistemática e metanálise orientado a avaliar a relevância prognóstica dessas três estratégias de modificação de placa em pacientes submetidos a PCI. Foram incluídos pacientes tratados por doença coronariana calcificada, comparando RA, OA e IVL em termos de desfechos clínicos e procedimentais. A partir de estudos randomizados e observacionais, foram analisados 6817 pacientes: 4339 tratados com RA, 1230 com OA e 1248 com IVL, com um seguimento médio de 8 meses. 

Quanto aos desfechos procedimentais, as três estratégias mostraram elevadas taxas de sucesso. O sucesso do procedimento foi de 93,9% com RA, de 94,2% com OA e de 89,4% com IVL. 

As complicações procedimentais foram pouco frequentes. A incidência global relatada foi de 2,14% para slow-flow/no-reflow, 0,42% para oclusão abrupta do vaso, 1,97% para dissecção coronariana e 1,68% para perfuração do vaso. Ao comparar as distintas estratégias, a segurança procedimental foi considerada comparável entre dispositivos, embora os autores tenham assinalado uma tendência a menor incidência de slow-flow/no-reflow com IVL versus RA. 

Leia também: EuroPCR 2026 | A morfologia do cálcio define a escolha entre IVL e cutting balloon?

Nos desfechos clínicos, quando se comparou com RA, não foram observadas diferenças significativas em termos de MACE nem para IVL nem para OA, com OR de 0,896 (IC de 95%: 0,636-1,26) e 0,849 (IC de 95%: 0,625-1,15), respectivamente.

As análises de sustentabilidade foram consistentes ao avaliar subgrupos com seguimento de mais de um ano, lesões de novo e síndromes coronarianas crônicas, sem evidenciar um sinal claro de superioridade clínica de uma estratégia sobre a outra. 

Conclusão: RA, AO e IVL mostraram resultados clínicos comparáveis em lesões coronarianas calcificadas severas

Esta é a maior metanálise até a o momento que compara RA, OA e IVL em PCI de doença coronariana calcificada. Os dados mostraram que as três estratégias alcançaram uma elevada taxa de sucesso procedimental, baixa taxa de complicações e ausência de diferenças significativas em termos de MACE em seguimento médio de 8 meses. 

Referência: Presentado por Filippo Luca Gurgoglione en EuroPCR 2026 Late-Breaking Trials, 19-22 de mayo de 2026, París, Francia.


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Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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