Uso racional da bivalirudina, menor sangramento e menores custos aplicando escore de riscos

Título original: Pre-Procedural Estimate of Individualized Bleeding Risk Impacts Physicians’ Utilization of Bivalirudin During Percutaneous Coronary Intervention. Referência: Seshu C. Rao et al. J Am Coll Cardiol 2013;61:1847–52

Se bem que a segurança da angioplastia coronária tem melhorado  com o passar do tempo, os sangramentos pós procedimento continuam sendo frequentes com uma grande variabilidade entre os diferentes centros. O sangramento está associado com aumento da mortalidade, infarto de miocárdio, stroke, aumento da permanência hospitalar e dos custos.

O escore de risco do National Cardiovascular Data Registry (NCDR) pode ser usado para classificar os pacientes de baixo (<1%), médio (1-3%) ou alto (3%) risco de sangramento de acordo com 9 variáveis clínicas pré-procedimento.

A bivalirudina tem demonstrado diminuir as complicações hemorrágicas e o benefício desta droga é maior quanto maior for o risco de sangramento.

Este trabalho incluiu 6491 pacientes que receberam angioplastia coronária entre 2007 e 2011 comparando as complicações hemorrágicas entre antes e depois do ano 2009 quando foi incorporada, em forma rotineira, a aplicação do escore de risco de sangramento do NCDR.

O uso de bivalirudina aumentou globalmente de 26.9% a 34.2% (p<0.001) logo de começar a aplicação do escore de risco. Isto foi especialmente certo para os pacientes de risco médio (de 27% a 35%, p<0.001) e alto (de 25% a 43%, p<0.001), porém seu uso diminuiu para os de baixo risco (30% a 25%, p=0.014).

Os sangramentos pós procedimento diminuíram logo da aplicação prospectiva da estratificação de risco. Nos pacientes de baixo risco o sangramento foi similar entre antes e depois da aplicação do escore (1.1% vs 1%, p=0.976), sem embargo, tanto para os de risco médio (3.4% vs 1.8%, p=0.009) como para os de alto risco (6.9% vs 3.7%, p=0.005) as complicações diminuíram significativamente.

Conclusão:

A incorporação de um risco individualizado de sangramento levou a um maior uso de bivalirudina em pacientes de risco moderado e alto, e um uso menor nos de baixo risco, concomitantemente, observou-se uma diminuição das complicações hemorrágicas nestes mesmos pacientes.

Comentário editorial:

Sendo que o risco de sangramento é previsível e modificável, é um critério de avaliação ideal para observar a melhora da angioplastia coronária na prática diária. A aplicação do escore otimiza os recursos pois a magnitude na redução do sangramento depende do risco inicial do paciente. 

O artículo não descreve quantos pacientes desta série receberam acesso radial, embora é esperado que sejam poucos já que a vantagem no sangramento que oferece a radial deixa pouca margem à bivalirudina para mostrar benefícios.

SOLACI.ORG

Mais artigos deste autor

Rivaroxabana em doses baixas após a angioplastia periférica: efetividade e segurança na prática clínica

Após a revascularização de membros inferiores, o tratamento médico ótimo inclui antiagregação, estatinas de alta intensidade e controle dos fatores de risco. Estudos recentes...

Guia AHA/ACC 2026 sobre o manejo do TEP

O guia ACC/AHA 2026 para o manejo do tromboembolismo pulmonar (TEP) agudo introduz uma mudança conceitual ao substituir a classificação tradicional “de acordo com...

Quão reais são os efeitos adversos das estatinas? Evidência de ensaios clínicos randomizados

A segurança das estatinas continua sendo motivo de debate, em parte devido à extensa lista de efeitos adversos consignados nas bulas, muitos deles derivados...

É seguro usar fármacos cronotrópicos negativos de forma precoce após o TAVI?

O TAVI está associado a uma incidência relevante de distúrbios do sistema de condução e ao desenvolvimento de bloqueios atrioventriculares que podem requerer o...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Dispositivos bioabsorvíveis vs DES em pacientes com alto risco de reestenose. Seguimento de 7 anos do estudo COMPARE-ABSORB

Estudos com stents farmacológicos (DES) de segunda geração demonstraram que a taxa de falha da lesão-alvo (TLF) aumenta de forma linear até 5 ou...

Rivaroxabana em doses baixas após a angioplastia periférica: efetividade e segurança na prática clínica

Após a revascularização de membros inferiores, o tratamento médico ótimo inclui antiagregação, estatinas de alta intensidade e controle dos fatores de risco. Estudos recentes...

Impella sem introdutor femoral: uma nova estratégia para reduzir complicações vasculares na PCI de alto risco?

Os pacientes com doença coronariana complexa ou choque cardiogênico submetidos a angioplastia coronariana percutânea (PCI) podem se beneficiar do suporte hemodinâmico proporcionado por dispositivos...