Fechamento percutâneo de comunicação interventricular pós infarto, uma alternativa mais precoce que a cirurgia.

Título original: Percutaneous Closure of Postinfarction Ventricular Septal Defect: In-Hospital Outcomes and Long-Term Follow-Up of UK Experience. Referência: Circulation. 2014 Jun 10;129(23):2395-402.

A comunicação interventricular como complicação mecânica de um infarto agudo de miocárdio tem um péssimo prognóstico. A cirurgia mostrou resultados razoáveis, mas só para aqueles pacientes que tenham logrado sobreviver à fase aguda de cicatrização. O fechamento percutâneo da comunicação é uma alternativa que poderia ser utilizada mais precocemente.

Entre 1997 e 2012 intentou-se o fechamento percutâneo de uma comunicação interventricular em 53 pacientes de 11 centros do Reino Unido. O infarto tinha sido anterior em 66% e inferior em 34%. 

O tempo entre o infarto e o procedimento de fechamento teve uma média de 13 dias (rango 5-54) sendo o dispositivo implantado corretamente em 89% da população.

As complicações imediatas nesta população de alto risco foram morte periprocedimento em 3.8% e cirurgia cardíaca de urgência em 7.5%.

O shunt de direita a esquerda foi parcialmente ocluído na maioria dos pacientes (62%), completamente ocluído em 23% e persistiu a pesar do dispositivo em 15%.

Do total,  58% dos pacientes puderam finalmente ser dados de alta e seguidos a uma media de 395 dias, neste período foram observadas 4 mortes adicionais (7.5%).

Os fatores principalmente associados a mortalidade pós infarto incluíram a idade (HR 1.04; p=0.039), o sexo feminino (HR=2.33; p=0.043), dispneia classe IV (HR=4.42; p=0.002), choque cardiogênico (HR=3.75; p=0.003), necessidade de inotrópicos (HR=4.18; p=0.005) e a ausência de revascularização no infarto índice (HR=3.28; p=0.009).

Um fechamento cirúrgico prévio e a redução imediata do shunt pós implante foram associados com melhor sobrevida.

Conclusão

O fechamento percutâneo é uma alternativa razoável de tratamento para una comunicação interventricular que complica um infarto agudo de miocárdio. Se bem que a mortalidade resultou alta, aqueles que lograram sobreviver até a alta hospitalar tiveram um bom prognóstico a longo prazo.

Comentário editorial

Esta opção deve ser levada em conta especialmente nos pacientes que desenvolvem choque cardiogênico como sintoma da comunicação interventricular, já que a cirurgia em agudo fica dificultada pela fragilidade do tecido septal e a espera neste contexto muitas vezes não é possível.

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