Benefício clínico neto de bivalirudin no infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST

Título original: Bivalirudin Versus Heparin With or Without Glycoprotein IIb/IIIa Inhibitors in Patients With STEMI Undergoing Primary Percutaneous Coronary Intervention: Pooled Patient-Level Analysis From the HORIZONS-AMI and EUROMAX Trials. Referência: Stone GW et al. J Am CollCardiol. 2015 Jan 6;65(1):27-38.

O estudo HORIZONS-AMI (Harmonizing Outcomes with RevasculariZatiON and Stents in Acute Myocardial Infarction), envolvendo 3602 pacientes passando por infarto com elevação do segmento ST que receberam angioplastia primária, mostrou que bivalirudin apresentaram menos sangramento e mortalidade em detrimento do aumento da trombose aguda do stent em comparação com a heparina além de inibidores da glicoproteína IIB IIIA. Do HORIZONS-AMI houve melhorias em angioplastia primária como os inibidores mais potentes do receptor P2Y12, a utilização do acesso radial e administração pré-hospitalar de medicamentos que foi usado no EUROMAX (European Ambulance Acute Coronary Syndrome Angiography) envolvendo 2218 pacientes para bivalirudina versus heparina com ou sem inibidores da glicoproteína antes de angioplastia primária.

Ambas as obras se juntou 5800 pacientes randomizados para bivalirudina (n = 2889) versus heparina com ou sem inibidores da glicoproteína (n = 2911). Acesso Radial foi utilizado em 21,3% e do novo anti-agregação (ticagrelor / prasugrel) em 18,1%. Os inibidores foram usados em 84,8% do grupo de controlo. Bivalirudina comparação com a heparina com ou sem IIB III resultou numa redução de 30 dias de hemorragia importante (4,2% versus 7,8%; RR0.53 IC de 95% 0,43-0,66, p <0,0001), trombocitopenia (1,4% versus 2,9%, RR de 0,48, IC de 95% 0,33-0,71, p = 0,0002) e mortalidade cardíaca (2,0% versus 2,9%; RR de 0,70, IC de 95% 0,50-0,97, p = 0,03).

Não houve diferença na taxa de reinfarto, revascularização motivada por isquemia, acidente vascular cerebral e todas as causas de mortalidade foram observados. Bivalirudina resultou num aumento da trombose dentro de 24 horas do procedimento (1,2% versus 0,2%; RR 6,04, IC 95% 2,55-14,31; p <0,0001), mas não de trombose subaguda. Os eventos adversos clínicos combinados foram mais baixos com bivalirudina (8,8% versus 11,9%; RR de 0,74, IC de 95% 0,63-0,86, p <0,0001). Sem heterogeneidade significativa entre as duas publicações para esses pontos finais e os resultados observados, foram consistentes para todos os principais subgrupos de pacientes.

Conclusão

Apesar de um aumento de trombose aguda, a angioplastia primária mais bivalirudin melhora resultado neto combinado com uma redução significativa no sangramento maior, trombocitopenia e transfusões em comparação com a heparina, com ou sem a adição de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa.

Comentário editorial

A taxa de acesso radial e novo anti-agregação estava em torno de 20%, o que não parece ser suficiente para mudar o resultado original do HORIZONS. A EUROMAX é mais como prática cotidiana com a adição de IIb-IIIa provisoriamente e mais utilização do acesso radial. Apesar do grande número de obras similares a esta, bivalirudin não atingir a prática cotidiana. Uma razão prática poderia ser o custo, mas pode haver outras razões pelas quais os cardiologistas intervencionistas ainda não incorporaram este fármaco.

SOLACI

Mais artigos deste autor

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

ACVC 2026 | Objetivos de PAM em choque cardiogênico pós-OHCA (subestudo BOX)

O manejo hemodinâmico do choque cardiogênico posterior a parada cardíaca de origem isquêmica (OHCA-AMICS) continua sendo uma área a ser resolvida, particularmente no que...

Fármacos para o tratamento do no-reflow durante a angioplastia

O fenômeno de no-reflow é uma das complicações mais frustrantes da angioplastia primária (pPCI) e expressa a persistência do dano microvascular que, a médio...

Aterectomia rotacional e seus segredos técnicos: utilização de guia floppy ou extra-support (ES)

A aterectomia rotacional (AR) continua sendo uma ferramenta muito útil no manejo da calcificação coronariana severa. No entanto, muitos de seus detalhes técnicos se...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026: Resultados do estudo SURViV – apresentação e análise exclusiva com o Dr. Dimytri Siqueira

Após a apresentação do estudo SURViV nas sessões Late Breaking Clinical Trials do Congresso do American College of Cardiology, o Dr. Dimytri Siqueira (Brasil),...

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

ACVC 2026 | Objetivos de PAM em choque cardiogênico pós-OHCA (subestudo BOX)

O manejo hemodinâmico do choque cardiogênico posterior a parada cardíaca de origem isquêmica (OHCA-AMICS) continua sendo uma área a ser resolvida, particularmente no que...