Angioplastia carotídea similar à cirurgia em pacientes assintomáticos

Título original: Randomized Trial of stent versus Surgery for Asymptomatic Carotid Stenosis. Kenneth Rosenfield. N Engl J Med. 2016 Feb 17. [Epub ahead of print]

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo e até 20% deles podem ser explicados por lesões carotídeas. Embora seja verdade que o tratamento médico moderno diminuiu sua incidência de forma expressiva, nas lesões assintomáticas o debate de qual é a melhor estratégia de tratamento continua vigente.

O objetivo deste estudo foi comparar a evolução da angioplastia carotídea como sistema de proteção vs. a endarterectomia em pacientes assintomáticos (sem eventos neurológicos nos 6 meses prévios ao procedimento) com lesão severa (70%-99%) na artéria carótida interna e sob risco para cirurgia.

Realizou-se uma randomização 3:1, sendo que 1.089 pacientes receberam angioplastia e 364 endarterectomia.

O Desfecho Primário foi a combinação de morte, AVC e infarto a 30 dias ou AVC ipsilateral a um ano.

As características dos dois grupos foram similares com uma idade média de 68 anos, sendo mais da metade homens e um terço diabéticos.

No desfecho primário combinado a angioplastia carotídea não foi inferior à endarterectomia (3,8% vs. 3,4%; p = 0,01 para não inferioridade). A taxa de AVC ou morte a 30 dias foi de 2,9% vs. 1,7% respectivamente (p = 0,33).

A liberdade de AVC ipsilateral para angioplastia e endarterectomia a partir dos 30 dias até os 5 anos foi de 97,8% vs. 97,3% (p = 0,51) respectivamente e a taxa de sobrevida foi de 87,1% vs. 89,4% (p = 0,21) respectivamente.

Conclusões
A angioplastia carotídea foi não inferior à endarterectomia no desfecho combinado a um ano em pacientes assintomáticos com estenose carotídea severa e risco cirúrgico habitual. Na análise a 5 anos não houve diferenças na taxa de AVC e sobrevida.

Comentário editorial
A não inferioridade da angioplastia em assintomáticos é promissora já que favorece os pacientes com uma rápida recuperação e evita as complicações relacionadas à cirurgia. Para obter bons resultados é necessário contar com operadores treinados e pessoal que conheça o correto manejo hemodinâmico posterior para otimizar os resultados.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.
Cardiologista Intervencionista
Fundación Favaloro, Buenos Aires.

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