Prognóstico adverso para pacientes com insuficiência aórtica pós-TAVI

Título original: Aortic Regurgitation Following Transcatheter Aortic Valve Replacement: Impact of Preprocedural Left Ventricular Diastolic Filling Patterns on Late Clinical Outcomes.

Referência: Amir Halkin, et al. Catheterization Cardiovascular Intervention 2016;87:1156-1163.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Os mecanismos da regurgitação aórtica pós-TAVI ainda não estão claramente dilucidados, mas sabe-se c0m segurança que esta complicação está relacionada com maior mortalidade devido a um rápido incremento da pressão de fim de diástole do ventrículo esquerdo.

Este trabalho analisou 418 pacientes com estenose aórtica severa sintomática submetidos a troca valvar por cateter (318 receberam CoreValve e 100 receberam Sapiens XT). As características das populações foram similares e todos os procedimentos foram realizados por acesso femoral.

Ao finalizar o procedimento:

• 206 pacientes (49,3%) não apresentaram insuficiência.
• 150 pacientes (35,9%) apresentaram insuficiência de grau leve.
• 62 pacientes (14,9%) apresentaram insuficiência moderada/severa.

A insuficiência foi mais prevalente com a válvula autoexpansível.
O seguimento foi de 30 meses e observou-se maior mortalidade por qualquer causa e maior taxa de eventos combinados nos pacientes que apresentaram insuficiência moderada ou severa comparando-se com o grupo que não apresentou insuficiência e com o grupo que apresentou insuficiência leve.

P = 0,02
• Mortalidade associada a insuficiência moderada ou severa: 38%
• Mortalidade associada a pacientes que não apresentaram insuficiência: 22%
• Mortalidade associada a insuficiência leve: 21%

P = 0,01
• Eventos combinados associados a insuficiência moderada ou severa: 56%
• Eventos combinados associados a pacientes que não apresentaram insuficiência: 35%
• Eventos combinados associados a insuficiência leve: 40%

Na análise multivariada, a desaceleração do tempo do ventrículo esquerdo < 160 ms. se associou com mortalidade e eventos combinados nos pacientes que apresentaram insuficiência valvular moderada ou severa.

Conclusão

Um encurtamento do tempo de enchimento ventricular faz pressagiar um prognóstico adverso nos pacientes que recebem TAVI e apresentam insuficiência aórtica, independentemente de outras variáveis clínicas ou ecocardiográficas, incluindo a própria severidade da regurgitação ou a função sistólica.

Comentário editorial
A presença de insuficiência moderada ou severa demonstrou ter impacto na avaliação devido, especialmente, a uma sobrecarga de volume no ventrículo esquerdo hipertrófico e muitas vezes mais rígido.

As novas válvulas conseguiram atenuar este problema, o que é um avanço muito importante já que, na atualidade, o implante está se estendendo a populações de menor risco e mais jovens.

Gentileza do Dr. Carlos Fava. Fundación Favaloro. Buenos Aires, Argentina.

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