Incidência dos fenômenos de “Baixo Fluxo” por aterectomia rotacional de artérias coronarianas calcificadas

Gentileza do Dr. José Álvarez

Incidence of ‘Slow Flow’ After Rotational Atherectomy of Calcified ArteriesO fenômeno de “baixo fluxo” pode complicar um procedimento de aterectomia rotacional coronariana, especialmente quando se realiza em lesões severas e extensamente calcificadas e em vasos de pequeno calibre. Sua incidência oscila entre 3% e 27%. No entanto, o mecanismo de sua influência não está completamente dilucidado e cogita-se que a agregação plaquetária induzida pela rotação da oliva pode ser uma causa principal.

 

No presente trabalho são comparadas (mediante um estudo randomizado de baixa vs. alta intensidade) duas técnicas de ablação em relação a dito fenômeno. 

 

Método: foram randomizados 100 pacientes tratados com aterectomia rotacional em artérias coronarianas calcificadas; em 50 delas a velocidade de ablação foi baixa (140.000 rpm) e no resto foi alta (190.000 rpm). Definiu-se baixo fluxo como fluxo distal pós-ablação TIMI < ou = a 2.

 

Resultados: a incidência de baixo fluxo foi de 24% em ambos os grupos (P = 1,00; odds ratio, 1,00; 95% IC o,40-2,50). A incidência dos diferentes graus de fluxo foi similar em ambos os grupos (TIMI 3, 76%; TIMI 2, 14%; TIMI 1, 8%; TIMI 0, 2% para o grupo tratado a baixa velocidade e TIMI 3, 76%; TIMI 2, 14%; TIMI 1, 10%; TIMI 0, 0% para o grupo tratado a alta velocidade). A incidência de infarto periprocedimento também foi similar em ambos os grupos (6% vs. 6%; P = 1,00).

 

Conclusões

Os autores não encontram nenhum tipo de relação entre a incidência de alterações do fluxo distal pós-aterectomia rotacional e a utilização de técnicas de alta ou baixa velocidade de ablação.

 

Comentário

A longitude da lesão e a utilização de uma baixa relação entre o diâmetro da oliva/diâmetro de vaso são conhecidos determinantes da incidência do fenômeno de “baixo fluxo” pós-aterectomia rotacional coronariana. No presente trabalho uma técnica de baixa velocidade de ablação, que teoricamente deveria induzir menos agregação plaquetária, não foi diferente de uma técnica de alta velocidade em relação ao fenômeno estudado. 

 

Deve-se considerar que no presente estudo todos os pacientes recebiam dupla antiagregação plaquetária, que o tempo total de ablação não foi diferente entre os dois grupos e que em geral se utilizou uma baixa relação de diâmetro oliva/artéria. Ainda assim, 24% dos pacientes apresentaram a complicação que nos ocupa, o que indica a necessidade de realizar mais investigações sobre o tema.

 

Gentileza do Dr. José Álvarez

 

Título original: The incidence of slow flow after rotational atherectomy of calcified coronary arteries. A randomized study of Low Speed Versus High Speed

Referência: Kenichi Sakamura MD, Hiroshi Funayama Md, Yosuke Taniguchi Md et al Cath Cardiovasc Interv 2017; 89:832-840


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