Protrusão de placa em angioplastia carotídea: que risco implica e como preveni-lo?

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Protrusão de placa em angioplastia carotídea: que risco implica e como preveni-lo?A angioplastia carotídea (ATP CAR) demonstrou sua efetividade nos pacientes de alto risco. Na atualidade, e contando com operadores treinados, seus resultados são similares aos da cirurgia. Este trabalho tem o objetivo de esclarecer a incidência e prognóstico da protrusão de placa através do stent (observda tanto na angiografia de controle quanto na ultrassonografia intravascular) durante a angioplastia carotídea.

 

Analisaram-se restrospectivamente 354 estenoses carotídeas ateroescleróticas em 328 pacientes consecutivos tratados com angioplastia e stent. A protrusão de placa foi defininda como a presença de placa dentro do stent após a pós-diliatação que se observou na angiografia com subtração digital e no IVUS. Analisou-se a incidência de AVC isquêmico dentro dos 30 dias após a angioplastia e a presença de lesões isquêmicas no estudo de difusão por RNM realizado dentro das 48 horas após o procedimento.

 

A presença de protrusão de placa foi obeservada em 9 pacientes (2,6%). A idade média foi de 73 anos, os pacientes eram majoritariamente homens e a lesão carotídea era de 80%. Não houve diferença no sistema de proteção nem no tipo de stent utilizado. Todos receberam dupla antiagregação.

 

A presença de protrução de placa foi maior naqueles pacientes que receberam stents de células abertas. Em 30 dias, a presença de AVC foi maior no grupo de protrusão de placa (66,6% vs. 1,1%; p =< 0,0001). Após 48 horas, a presença de imagens na difusão também foi maior neste grupo (8 pacientes), nos que receberam stents de células abertas e nas placas instáveis.

 

Houve uma forte associação entre protrusão de placa e AVC peri-procedimento.

 

Conclusão

A incidência de protrusão de placa na angioplastia carotídea foi de 2,6% e esteve associada a um alto risco de complicações isquêmicas. Esses achados indicam que é necessário selecionar apropriadamente os dispositivos para evitar a protrusão de placas.

 

Comentário

Embora a experiência dos operadores tenha reduzido a incidência de eventos, é necessário melhorar a tecnologia atual para evitar a protrusão de placa, já que a presença da mesma se relaciona com uma elevada taxa de AVC.

 

Esse evento tão desagradável não só afeta os pacientes, já que altera a relação com seu entorno familiar e social, mas também gera um alto custo para os sistemas de saúde.

 

Gentileza del Dr. Carlos Fava.

 

Título original: Carotid Artery Stenting. Investigation of Plaque Protusion Incidence and Prognosis.

Referência: Masashi Kotsugi, et al. J Am Coll Cardiol Intv 2017;10:824-31.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Duração da cessação do tabagismo e risco de amputação após a revascularização na isquemia crítica de membros inferiores

A isquemia de membros inferiores se associa a uma elevada taxa de amputação e mortalidade. Embora a cessação do tabagismo melhore os resultados após...

Manejo conservador de endoleaks em endopróteses aórticas complexas com acompanhamento por angio-TC

Os endoleaks continuam sendo uma das principais causas de reintervenção após a reparação endovascular de aneurismas aórticos complexos com próteses fenestradas e/ou ramificadas (F/B-EVAR)....

O treinamento aeróbico de membros superiores se constitui em uma alternativa efetiva ao exercício de membros inferiores em contextos de doença arterial periférica?

A doença arterial periférica se associa a uma deterioração da capacidade funcional, uma redução da distância de caminhada e uma pior qualidade de vida,...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Espaço do Fellow 2026 – Envíe seu Caso

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) relança este ano o Espaço do Fellow 2026, uma...

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....