Terapia antitrombótica após um stent venoso: muito diferente do que ocorre com as coronárias

A terapia antitrombótica/antiplaquetária após um stent de 10,0 por 60 mm implantado na veia subclávia de um paciente com deficiência renal crônica deveria ser igual á de um stent 3,0 por 18 mm no segmento médio da artéria descendente anterior desse mesmo paciente? A prática diária de muitos Cardiologistas Intervencionistas que realizam ambos os procedimentos diria que sim. No entanto, este novo consenso nos dá uma informação completamente diferente, motivo pelo qual vale a pena uma leitura rápida.

Este é o primeiro estudo que investiga o tema e reúne a evidência dos trabalhos e da experiência dos Intervencionistas dedicados à angioplastia em território venoso.

 

O trabalho aborda vários temas importantes como o uso de anticoagulação, a duração do tratamento ou aqueles pacientes nos quais se justifica um estudo de trombofilia, mas também deixa claro que não existe nenhuma evidência sobre o uso de antiagregantes plaquetários em dito contexto (o que é a clássica indicação de um Cardiologista Intervencionista cujo volume majoritário de trabalho são as coronárias).


Leia também: O TAVI tem durabilidade de mais de 5 anos?


As declarações deste consenso foram:

  1. A anticoagulação é preferível à antiagregação plaquetária durante os primeiros 6 a 12 meses após o implante de um stent venoso que não seja por uma lesão por síndrome de May-Turner.
  2. Não houve consenso para recomendar terapia antiagregante por toda a vida do paciente após a suspensão da anticoagulação pós-implante de um stent venoso que não seja por uma lesão por síndrome de May-Turner.
  3. A heparina de baixo peso molecular é a anticoagulação de escolha durante as primeiras 2 a 6 semanas após o implante de um stent.
  4. Uma triagem para trombofilia é essencial após a descontinuação da anticoagulação pós-trombólise e stent no contexto do primeiro episódio de trombose venosa profunda.
  5. Após uma trombose venosa profunda com trombólise e angioplastia com stent da veia ilíaca, a anticoagulação pode ser descontinuada entre os 6 e os 12 meses se a triagem para trombofilia for negativa, se tiver sido o primeiro evento de trombose venosa profunda e se o stent não apresentar complicações na avaliação com eco-Doppler.
  6. Em pacientes com múltiplos episódios de trombose venosa profunda e stent ilíaco a anticoagulação deve ser mantida por toda a vida.
  7. Tampouco houve consenso sobre o fato de existir ou não benefício de adicionar antiagregação plaquetária à anticoagulação após uma angioplastia bem-sucedida em um paciente com antecedente de múltiplas tromboses venosas e síndrome pós-traumática.

Título original: Antithrombotic Therapy Following Venous Stenting: International Delphi Consensus.

Referência: Kristijonas Milinis et al. Eur J Vasc Endovasc Surg (2018), Article in press.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Duração da cessação do tabagismo e risco de amputação após a revascularização na isquemia crítica de membros inferiores

A isquemia de membros inferiores se associa a uma elevada taxa de amputação e mortalidade. Embora a cessação do tabagismo melhore os resultados após...

Manejo conservador de endoleaks em endopróteses aórticas complexas com acompanhamento por angio-TC

Os endoleaks continuam sendo uma das principais causas de reintervenção após a reparação endovascular de aneurismas aórticos complexos com próteses fenestradas e/ou ramificadas (F/B-EVAR)....

O treinamento aeróbico de membros superiores se constitui em uma alternativa efetiva ao exercício de membros inferiores em contextos de doença arterial periférica?

A doença arterial periférica se associa a uma deterioração da capacidade funcional, uma redução da distância de caminhada e uma pior qualidade de vida,...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Espaço do Fellow 2026 – Envíe seu Caso

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) relança este ano o Espaço do Fellow 2026, uma...

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....