Melhora clínica que não é acompanhada pela melhora da função ventricular após uma CTO

Ainda não há clareza em termos de que benefícios proporcionamos aos pacientes ao tentar a recanalização de uma oclusão total crônica. Ademais, a isso temos que somar o fato de que às vezes não temos uma dimensão exata dos riscos do procedimento.

Disnea y oclusiones totales crónicas: un síntoma que podemos aliviar (o al menos intentarlo)Com todas estas controvérsias à vista este trabalho tentou provar se a recanalização bem-sucedida de uma oclusão total crônica melhora a função ventricular. Este não é um desfecho brando já que tem sido associado em diversos trabalhos e contextos à mortalidade.

 

Todos os pacientes com oclusões totais crônicas (CTO) candidatos à angioplastia foram incluídos e randomizados a recanalização ou tratamento médico. Todas as lesões significativas adicionais foram tratadas antes da randomização.


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Todos os pacientes fizeram uma ressonância magnética cardíaca basal no momento e 6 meses depois do procedimento.  

 

O desfecho primário foi a mudança segmentar na espessura da parede ventricular no território da oclusão total. Desfechos secundários incluíram melhora no que se refere à motilidade regional e mudanças na fração de ejeção. Todos os eventos cardiovasculares maiores após 12 meses também foram registrados.

 

Em total, 101 pacientes receberam recanalização de sua oclusão total crônica e 104 receberam tratamento médico.


Leia também: Utilidade clínica para tomar decisões com base no FFR derivado da tomografia.


Não se observaram mudanças na espessura da parede do ventrículo esquerdo entre os que receberam angioplastia e os que não a receberam (4,1 [14,6 a 19,3] vs. 6,0 [8,6 < 6,0]; p = 0,57). Resultados similares foram obtidos para outros índices de função regional ou global.

 

A análise de subgrupos mostrou que somente aqueles pacientes sem outras lesões além da oclusão total (escore de SYNTAX ≤ 13) melhoraram a espessura segmentar após a angioplastia (p para a interação = 0,002).


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Os eventos cardiovasculares maiores após 12 meses foram menores no grupo angioplastia (16,3% vs. 5,9%, p = 0,02).

 

Conclusão

Não se observaram benefícios em termos de desfecho primário (espessura da parede no segmento revascularizado) ou qualquer outro índice de função ventricular global ou segmentar. No entanto, observou-se uma redução dos eventos cardiovasculares maiores após 12 meses nos pacientes que receberam angioplastia da oclusão total.

 

Título original: A Randomized Trial to Assess Regional Left Ventricular Function After Stent Implantation in Chronic Total Occlusion. The REVASC Trial.

Referência: Kambis Mashayekhi et al. J Am Coll Cardiol Intv 2018. Online before print.


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