Menos bivalirudina e mínimo uso de ecografia para punçar é a tendência mundial no acesso radial

Uma enquete de cunho mundial mostrou que ainda há muita margem para melhorar os procedimentos por acesso radial, particularmente para prevenir a oclusão da artéria radial pós-procedimento.

acceso_radialEmbora em muitos lugares já seja a técnica padrão há muito tempo, outros ainda tinham que evoluir e felizmente é o que se deduziu dos resultados desta enquete. Nos últimos 8 anos um grande número de cardiologistas intervencionistas adotou a técnica tanto para os estudos diagnósticos como para os terapêuticos, apesar de ainda haver uma grande dispersão no mundo no que a seu uso se refere.

 

Nesta enquete os pesquisadores observaram que uma grande proporção de operadores (tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos) não se aderem às recomendações das melhores práticas clínicas.


Leia também: ESC 2018 | MATRIX: Superioridade do acesso radial em um ano.


Para ter como exemplos: cerca de 30% dos operadores não checam a perviedade da artéria depois de conseguir a hemostasia e somente 63,2% checam a perviedade antes da alta. Além disso, aumentou o uso de heparina por sobre a bivalirudina, mas muitos administram uma dose inferior à mínima requerida para reduzir o risco de oclusão da artéria (5.000 Unidades).

 

Esta enquete internacional sobre acesso radial – que foi recentemente publicada no Catheterization and Cardiovascular Interventions – foi a segunda realizada sobre o tema. Na primeira (publicada em 2010) menos de 10% dos operadores nos Estados Unidos praticavam a técnica, ao passo que na enquete atual a porcentagem se situa ao redor de 40%. 70% destes operadores começou sua curva de aprendizagem entre 2007 e 2015.

 

Somente uma minoria dos operadores testam rotineiramente a dupla circulação (teste de Allen), especialmente fora do Estados Unidos. Testar a dupla circulação não demonstrou que possa predizer o risco de futuras complicações.


Leia também: Compressão manual ou mecânica após um cateterismo por acesso radial.


Uma das mudanças mais chamativas com relação a 2010 foi o uso de introdutores hidrofílicos, técnica que previne a oclusão da artéria e a mudança à radial contralateral no caso de falha na primeira tentativa em vez de ir diretamente à femoral.

 

O uso de Doppler para punçar difere significativamente entre os operadores dos Estados Unidos (em geral com menor experiência) em comparação com o resto do mundo. Os primeiros reportam que o utilizam quase na metade das vezes ao passo que o resto punça diretamente em 92,6% dos casos.

 

Título original: Contemporary transradial access practices: results of the second international survey.

Referência: Shroff AR et al. Catheter Cardiovasc Interv. 2018; Epub ahead of print.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Registro Global Morpheus: segurança e eficácia do stent longo cônico BioMime Morph em lesões coronárias complexas

A angioplastia em lesões coronárias longas continua representando um desafio técnico e clínico, no qual o uso de stents cilíndricos convencionais pode se associar...

Revascularização híbrida vs. convencional em doença do tronco da coronária esquerda

A doença significativa do tronco da coronária esquerda (TCE) continua representando um desafio terapêutico, particularmente em pacientes com doença multivaso complexa e escores de...

Comparação de estratégias: NMA de IVUS, OCT ou angiografia em lesões complexas

A angioplastia coronariana (PCI) em lesões complexas continua representando um desafio técnico na cardiologia intervencionista contemporânea. Embora a angiografia seja a ferramenta mais utilizada...

Dynamic Coronary Roadmap: seu uso realmente ajuda a reduzir o uso de contraste?

A nefropatia induzida por contraste continua sendo uma complicação relevante nas intervenções coronarianas percutâneas (ICP), especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades e anatomias complexas....

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Espaço do Fellow 2026 – Envíe seu Caso

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) relança este ano o Espaço do Fellow 2026, uma...

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....