Vasculite, trombose e angiogênese: padrões únicos que diferenciam a Covid-19

Nesta pequena – mas nem por isso menos interessante – série, observa-se que a angiogênese poderia distinguir a fisiopatologia pulmonar da Covid-19 de outras infecções virais que podem afetar o pulmão com uma severidade similar (por exemplo a influenza) 

Coronavirus y corazón ¿Cómo deben prepararse los cardiólogos?

Ao tratar-se de uma série muito pequena é difícil concluir a universalidade de tais observações e também se elas puderam ter alguma implicação clínica. De qualquer maneira serve-nos para continuarmos aprendendo sobre o novo vírus. 

A falha respiratória progressiva é a causa primária de morte por Covid-19. Apesar do grande interesse pela fisiopatologia da nova doença, é relativamente pouco o que conhecemos sobre as mudanças morfológicas e moleculares ocasionadas pela infecção. 

Foram examinados 7 pulmões obtidos de autópsias de pacientes que faleceram por Covid-19 e comparados com outros 7 de pacientes que faleceram por falha respiratória secundária à influenza A (H1N1). Foram feitos estudos imuno-histoquímicos, de microscopia eletrônica, expressão genética, etc.  

Ambos os vírus produziram nos pulmões um padrão histológico na periferia pulmonar caracterizada pelo dano alveolar com infiltração de células T perivasculares. No entanto, os pacientes que faleceram por Covid-19 mostraram outras características distintivas como a severa injúria endotelial associada à presença intracelular do vírus, por um lado, e a membrana de todas as células completamente destruídas, por outro. 


Leia também: Reperfusão em tempos de Coranavírus: o que mudou?


A análise histológica dos vasos pulmonares mostrou microangiopatia e trombose difusa. 

Os microtrombos intra-alveolares foram 9 vezes mais frequentes nos pacientes com Covid-19 que naqueles com influenza (p < 0,001). 

Além disso, observou-se a formação de novos vasos nos pulmões, fundamentalmente pelo mecanismo de angiogênese intussusceptiva. Este fenômeno foi 2,7 vezes mais frequente nos pacientes que faleceram por Covid-19 do que naqueles que faleceram por influenza (p < 0,001).

Conclusão

A angiogênese pulmonar pode ser uma característica distintiva do novo coronavírus. A universalidade e a implicação clínica deste achado deve ser objeto de futuros estudos. 

Título original: Pulmonary Vascular Endothelialitis, Thrombosis, and Angiogenesis in Covid-19.

Referência: Maximilian Ackermann et al. N Engl J Med. 2020, Online ahead of print. doi: 10.1056/NEJMoa2015432.


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