Diferenças entre os sexos nos resultados clínicos após a intervenção transcateter da valva tricúspide

São conhecidas as diferenças entre os sexos no tocante a comorbidades, fisiopatologia e progressão da doença nos pacientes com insuficiência tricúspide (TR). 

La insuficiencia renal post tratamiento borde a borde tricuspídeo impacta en el pronóstico

A prevalência de TR é mais frequente no sexo feminino mas, por outro lado, o sexo masculino apresenta maior prevalência de doença coronariana, pior fração de ejeção do ventrículo esquerdo e pior sobrevida em 10 anos. A intervenção transcateter da valva tricúspide (TTVIs) surgiu como uma opção terapêutica para pacientes com TR severa inoperáveis. Apesar de o sexo feminino ser reconhecido como um fator de risco para a mortalidade hospitalar, não há estudos que tenham avaliado o impacto do sexo na sobrevida após a TTVIs.

O objetivo deste estudo multicêntrico foi avaliar as diferenças relacionadas com o sexo no que se refere às características clínicas e aos resultados em pacientes com TR severa que são submetidos a TTVIs. 

O desfecho primário foi a mortalidade por todas as causas em dois anos. 

De um total de 702 pacientes, 55% eram mulheres e 45% eram homens. A idade média foi de 78 anos. Os pacientes apresentavam mais frequentemente dispneia em NYHA CF III (75,9%) seguida de CF IV (14,1%). 

Leia também: Estudo comparativo dos balões recobertos de fármacos: resultados angiográficos e clínicos.

Os homens apresentavam dispneia CF IV em maior medida que as mulheres (18% em homens vs. 10% em mulheres, p = 0,009). Além disso, apresentavam mais doença coronariana e maior presença de marca-passo/cardiodesfibrilador. 

Em relação ao DP, a sobrevida em 2 anos foi similar entre os dois sexos (63,7% em homens vs. 69,9% em mulheres, p = 0,144). Após uma análise multivariada, a severidade da dispneia avaliada pela CF da NYHA, a medição ecocardiográfica do TAPSE e a pressão arterial pulmonar média (mPAP) foram preditores independentes de mortalidade após a TTVIs. 

Para poder predizer a mortalidade em 2 anos, foi calculado um índice que considerou o TAPSE e a mPAP.

Leia também: Implante alto das válvulas autoexpansíveis em posição aórtica ou “Cusp Overlapping”: deveria ser o novo “Gold Standard”?

Nas mulheres, a relação TAPSE/mPAP < 0,612 mm/mmHg apresentou um incremento de 3,43 do risco de mortalidade em 2 anos (p < 0,001), ao passo que nos homens a relação TAPSE/mPAP < 0,434 mm/mmHg aumentou em 2,05 vezes o risco de mortalidade em 2 anos (p = 0,001). 

Conclusão

A etiologia subjacente da TR difere entre homens e mulheres, refletindo distinta fisiopatologia. Apesar disso, a TTVIs é igualmente efetiva para homens e mulheres, mostrando similares taxas de sucesso e sobrevida após a intervenção. A severidade da dispneia, a hipertensão pulmonar e a disfunção do ventrículo direito foram preditores independentes de mortalidade após a TTVIs. Por tal motivo, o índice TAPSE/mPAP é um bom preditor de mortalidade em 2 anos e deveria guiar o tempo de intervenção e a otimização na seleção dos pacientes. 

Dr. Andrés Rodríguez

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Sex-Related Differences in Clinical Characteristics and Outcome Prediction Among Patients.

Referência: Undergoing Transcatheter Tricuspid Valve Intervention Vera Fortmeier, MD et al J Am Coll Cardiol Intv 2023.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....

Quando considerar a oclusão do apêndice atrial esquerdo depois de um sangramento maior em contexto de fibrilação atrial?

A fibrilação atrial (FA) em pacientes que apresentam um sangramento maior representa um cenário clínico complexo no qual a oclusão percutânea do apêndice atrial...

Nova válvula aórtica balão-expansível: resultados de seguimento de 30 dias em pacientes com anel aórtico pequeno

À medida que o implante transcateter valvar aórtico (TAVI) se estende a pacientes cada vez mais jovens e com maior expectativa de vida, fatores...

TAVI em anel aórtico pequeno: válvula autoexpansível ou balão-expansível a longo prazo?

Os pacientes com anel aórtico pequeno (uma população predominantemente feminina e com maior risco de mismatch prótese-paciente) representam um subgrupo particularmente desafiador no que...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Espaço do Fellow 2026 – Envíe seu Caso

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) relança este ano o Espaço do Fellow 2026, uma...

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....