Estratégia stentless em SCA: balão de perfusão e balão com fármacos

A estratégia inicial para o tratamento de pacientes com alto risco de sangramento (HBR) após uma angioplastia (PCI) consiste na terapia abreviada com dupla antiagregação (DAPT). A melhoria contínua na tecnologia de stents permitiu a redução desses esquemas de DAPT, diminuindo assim a incidência de sangramento. 

Entretanto, outra estratégia avaliada tem sido evitar a colocação de stent (estratégia stentless) para diminuir a injúria do vaso que está associada ao implante do dispositivo. Na escolha da estratégia stentless é crucial uma correta preparação da placa aterosclerótica alvo. Atualmente não existem comparações que avaliem as formas de pré-dilatação em opções stentless, seguidas do uso de balão com fármacos (DCB). 

Os balões de perfusão permitem uma dilatação prolongada ao manter o fluxo coronariano (definido como uma pressão de condução coronariana ≥ 60 mmHg), alcançando diâmetros adequados com um fluxo distal que previne a isquemia. No entanto, seu uso foi estudado como pré-dilatação previa a uma angioplastia com DCB. 

Foi levado a cabo o estudo unicêntrico e prospectivo denominado RYUSEI DCB com o objetivo de avaliar a segurança e a eficácia de uma insuflação gradual e prolongada por meio de um balão de perfusão durante ao menos 10 minutos em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) tratados previamente com aspirina e inibidor de P2Y12.

Leia também: Qual é a duração ótima do tratamento antiplaquetário duplo com anticoagulação oral após uma ATC? 1 mês vs. 3 meses.

Foram incluídos pacientes com SCA que tinham uma lesão nativa ≤ 20 mm e um diâmetro de referência de 2,0-3,5 (avaliado por IVUS ou OCT). Foram excluídos aqueles pacientes com choque cardiogênico, insuficiência cardíaca congestiva e arritmia maligna. Todos os pacientes foram submetidos a uma angiotomografia coronariana (AngioTC) como parte do seguimento para confirmar a perviedade do vaso antes da alta hospitalar. 

A expansão com o balão de perfusão RYUSEI foi levada a cabo a 1 atm a cada 20 segundos com uma insuflação total de 10 minutos e um intervalo posterior de 5 minutos para avaliar o recoil ou a dissecção, seguida da colocação do DCB SeQuent paclitaxel. Depois da colocação do DCB, administrou-se heparina não fracionada em uma dose de 12.000 Ul/d durante 24 horas. O desfecho primário (DP) foi a falha do vaso índice (TVF) em 24 meses. 

Entre abril de 2019 e outubro de 2019 foram incluídos 30 pacientes com SCA na estratégia RYUSEI DCB, selecionados de um grupo de 104 pacientes para coronariografia de emergência. A idade média foi de 69 ± 13 anos, 80% da população estava composta por homens e em 90% dos casos a angiografia foi feita devido a um infarto agudo do miocárdio (IAM). 47% dos pacientes tinham um alto risco de sangramento conforme os critérios BARC. O tempo médio desde a chegada dos pacientes até o uso do balão foi de 41 minutos e a artéria mais tratada foi a coronária direita (50%). O dispositivo de manejo do trombo foi observado em 50% dos casos. 

Leia também: CAPTIS, um inovador sistema de proteção cerebral para o TAVI.

Não foram observadas oclusões agudas durante a hospitalização (avaliadas com TC coronariana). A taxa imediata de “sucesso livre de stent” foi de 80%, com 20% de necessidade de stenting de resgate. A revascularização guiada por isquemia em 2 anos foi de 8% e com a estratégia stentless observou-se uma duração média de DAPT de 45 dias. A avaliação com OCT mostrou que a presença de ruptura de placa e um baixo índice de calcificação foram preditores de sucesso na Stentless PCI. 

Conclusões

A estratégia stentless com DCB e pré-dilatação com balão de perfusão demonstrou resultados provisionais animadores a curto e médio prazo. Deveria ser considerada em pacientes com alto risco de sangramento que, ao serem avaliados com imagens endovasculares, não apresentem preditores de bailout stenting

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Novel Stentless Strategy With Perfusion and Drug-Coated Balloons for Treating Acute Coronary Syndrome.

Referencia: Ryota Fukuoka, Tomohiro Kawasaki, Kyoko Umeji, Yoshiya Orita, Hisashi Koga, Keisuke Hirai, Kazuki Haraguchi, Yurie Fukami, Kimihiro Kajiyama, Toshiya Soejiyma. Novel Stentless Strategy With Perfusion and Drug-Coated Balloons for Treating Acute Coronary Syndrome. Journal of the Society for Cardiovascular Angiography & Interventions, 2023, 101175, ISSN 2772-9303, https://doi.org/10.1016/j.jscai.2023.101175.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

ACC 2025 | FAME 3: Angioplastia guiada por FFR vs. cirurgia de revascularização. Resultados finais em seguimento de 5 anos

Em anos anteriores os estudos que compararam a angioplastia coronariana (PCI) com a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG) mostraram uma menor quantidade de eventos...

ACC 2025 | FLAVOUR II: Angioplastia guiada por FFR derivado de angiografia vs. angioplastia com IVUS

A avaliação fisiológica é eficaz na tomada de decisões para a realização de uma angioplastia coronariana (PCI). No entanto, apesar da evidência disponível, seu...

Estudos CRABBIS: Comparação de distintas sequências para a técnica de stent provisional

A técnica de stent provisional stent (SP) é o padrão ouro para a intervenção coronariana percutânea (ICP) na maioria dos pacientes com lesões coronarianas...

Estudo Andromeda: metanálise de balão eluidor de fármacos vs. stents em lesões de novo de pequenos vasos

O uso de stents coronarianos em comparação com a angioplastia com balão simples (POBA) permitiu reduzir o recoil e a dissecção limitante de fluxo...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2025 | FAME 3: Angioplastia guiada por FFR vs. cirurgia de revascularização. Resultados finais em seguimento de 5 anos

Em anos anteriores os estudos que compararam a angioplastia coronariana (PCI) com a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG) mostraram uma menor quantidade de eventos...

ACC 2025 | FLAVOUR II: Angioplastia guiada por FFR derivado de angiografia vs. angioplastia com IVUS

A avaliação fisiológica é eficaz na tomada de decisões para a realização de uma angioplastia coronariana (PCI). No entanto, apesar da evidência disponível, seu...

ACC 2025 | API-CAT: Anticoagulação estendida com dose reduzida vs. plena de Apixabana em pacientes com DTV associada ao câncer

O risco de recorrência da doença tromboembólica venosa (DTV) associada ao câncer diminui com o tempo, ao passo que risco de sangramento persiste. Atualmente...