Análise com QFR de lesões coronarianas no TAVI

O TAVI demonstrou resultados alvissareiros em muitos estudos e na vida real. No entanto, a presença de doença coronariana significativa afeta 50% ou mais dos pacientes e ainda não está claro qual é a melhor estratégia de tratamento para manejar dita condição. 

O QFR poderia emergir como uma ferramenta não invasiva para avaliar a severidade das lesões coronarianas e ajudar na tomada de decisões, embora não exista ainda estudos específicos em tal cenário. 

Foram incluídos 318 pacientes submetidos a TAVI com coronariografia antes do implante, sem revascularização coronariana mediante ATC. 

As coronariografias foram analisadas com SYNTAX Score para avaliar a severidade das lesões. Além disso, foi feito QFR, tendo sido o mesmo positivo (≤0.80) em 78 pacientes (24,5%).

O desfecho primário foi a mortalidade por qualquer causa em seguimento de 3 anos. 

Leia Também: ATC complexas em octogenários.

Os grupos foram similares em suas características: idade média de 84 anos, 45% de população composta por homens, 87,5% com hipertensão, 25,5% com diabetes, 20% com DPOC, 29,6% com fibrilação atrial, 19,2% com antecedentes de ATC, 8,5% com CRM, 35,5% com deterioração da função renal e uma fração de ejeção de 55%. Não houve diferenças na classe funcional, embora a incidência de infarto prévio tenha sido maior nos pacientes com QFR+. 

Os pacientes com QFR+ apresentaram um SYNTAX Score mais alto (5 vs. 0; p < 0,001).

A mortalidade periprocedimento foi maior no grupo QFR+ (8,9% vs. 0,4%; p > 0,001), mas não houve diferenças em termos de complicações vasculares maiores, AVC, conversão cirúrgica, choque cardiogênico ou tamponamento. 

Leia Também: Gradientes elevados após o valve-in-valve.

O DP foi maior no grupo QFR+ (51,1% vs. 12,1%; p < 0,001), embora não tenham sido constatadas diferenças significativas ao analisar as lesões coronarianas mediante angiografia (24,3% vs. 19,7%; p = 0,244). Na análise multivariada o QFR foi um preditor significativo de mortalidade por qualquer causa (hazard ratio, 5,31 [95% CI, 3,21–8,76]).

Conclusão

O QFR coronariano pode predizer a mortalidade em pacientes com estenose aórtica severa tratados com TAVI sem revascularização coronariana. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Natural History of Coronary Atherosclerosis in Patients With Aortic Stenosis Undergoing Transcatheter Aortic Valve Replacement: The Role of Quantitative Flow Ratio. 

Referência: Iginio Colaiori,  et al. Circ Cardiovasc Interv. 2024;17:e013705. DOI: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.123.013705. 


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