Preditores de falha de DCB em lesões de novo

A angioplastia coronariana (PCI) com balões eluidores de fármacos (DCB) é uma alternativa útil, especialmente em pacientes com alto risco de sangramento, em lesões de ramo lateral de bifurcação coronariana ou em segmentos coronarianos pequenos. O tratamento com DCB da doença coronariana de novo demonstrou não ser inferior ao tratamento convencional com stent eluidor de fármacos (DES), segundo o estudo PICCOLETO-II. 

ATC guiada por iFR ¿es igual en la DA que en el resto de los vasos?

Ditas intervenções não estão, no entanto, livres de complicações. Um dos principais riscos são as dissecções iatrogênicas, que, embora costumem mostrar uma boa taxa de cura espontânea a médio prazo, continuam representando um desafio. A OCT (tomografia de coerência ótica), além de oferecer uma alta resolução de imagem, permite avaliar complicações não observadas na angiografia, como dissecções pequenas, o que poderia proporcionar informação adicional na predição de eventos quando se opta por uma terapêutica sem stent e com DCB. 

O objetivo do estudo apresentado por Lee T. et al. foi investigar os fatores associados a eventos clínicos em pacientes com lesões coronarianas de novo tratados com DCB. Foi feita uma análise observacional retrospectiva em um centro de Tóquio, Japão. O dispositivo de DCB utilizado foi o SeQuent Please (balão eluidor de paclitaxel), e para a OCT foram empregados os cateteres Dragonfly OPTIS, Opstar OCT ou Gentuity Vis-Rx. Na presença de uma dissecção limitante de fluxo ou de uma dissecção tipo D-F (Classificação NHLBI), recomendava-se o implante de DES e a exclusão do estudo. O desfecho primário incluiu a falha da lesão tratada (TLF), definida como uma combinação de mortalidade cardíaca relacionada com o vaso tratado, infarto (IAM) não fatal e nova revascularização do vaso (TLR).  

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Foram incluídos 328 pacientes com 328 lesões de novo tratadas com DCB. Dentre eles, 75 apresentaram síndrome coronariana aguda (SCA), levando-se a cabo uma estratégia de PCI com DCB em SCA. Foi feito um seguimento médio de 460 dias (IQR 289-770), observando-se eventos de TLF em 9,5% dos casos. Tais eventos incluíram 1,2% de mortalidade cardíaca, 3,7% de IAM não fatal e 7,6% de TLR. 

A idade média dos pacientes foi de 72 anos, 81% eram homens e 77% apresentavam síndrome coronariana crônica. Com relação às características basais, observou-se uma diferença significativa no que se refere à presença de insuficiência renal crônica com necessidade de hemodiálise entre os pacientes com TLF e os que não apresentaram TLF.

Em termos angiográficos observou-se maior calcificação nos pacientes com TLF, sem diferenças significativas quanto à dissecção visível por angiografia. Entretando, ao avaliar mediante OCT, evidenciaram-se placas calcificadas (grau de calcificação) com maior frequência no grupo com TLF (215° [IQR 109-349] vs. 104° [IQR 0-253]; p = 0,007) e nódulos calcificados (23% vs. 10%; p = 0,07). No tocante aos achados pós-PCI, as dissecções com comprometimento medial (leves) foram menos comuns no grupo com TLF (16% vs. 61% no grupo sem TLF). Ao caracterizar as dissecções, um ângulo de dissecção superior a 60° ocorreu em 97,3% dos casos, com um comprimento superior a 2 mm em 82,9% dos mesmos. Tal diferença não se associou, no entanto, com o TLF, apresentando uma área luminal mínima pós-PCI similar em ambos os grupos, com e sem eventos. 

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Na análise multivariada, a presença de hemodiálise, um ângulo de cálcio maior ao máximo e a ausência de dissecção medial foram os preditores independentes de TLF. A menor probabilidade de eventos de TLF foi observada na OCT dos pacientes que apresentavam disseção medial e um arco de cálcio inferior ou igual a 180°.

CONCLUSÕES

Nesta coorte de pacientes com DCB-PCI avaliados com OCT em um centro japonês, observou-se 9,5% de eventos de TLF, principalmente vinculados a hemodiálise, lesões calcificadas e um comprometimento de dissecção superior à média. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Predictors of target lesion failure after percutaneous coronary intervention with a drug-coated balloon for de novo lesions.

Referência: Lee T, Ashikaga T, Nozato T, Nagata Y, Kaneko M, Miyazaki R, Misawa T, Taomoto Y, Okata S, Nagase M, Horie T, Terui M, Kachi D, Odanaka Y, Matsuda K, Naito M, Koido A, Yonetsu T, Sasano T. Predictors of target lesion failure after percutaneous coronary intervention with a drug-coated balloon for de novo lesions. EuroIntervention. 2024 Jul 1;20(13):e818-e825. doi: 10.4244/EIJ-D-23-01006. PMID: 38949242; PMCID: PMC11200664.


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