Tratamento borda a borda na valva tricúspide: evolução em um ano

O tratamento borda a borda na valva tricúspide está se consolidando como uma alternativa promissora à cirurgia. Distintos estudos têm demonstrado sua segurança, sua capacidade para reduzir a insuficiência tricúspide e sua efetividade em melhorar a qualidade de vida em seguimentos de que vão até os 12 meses. 

Embora ditos estudos sejam preliminares e ainda não tenham demonstrados benefícios a longo prazo, os resultados atuais são alentadores. 

O estudo bRIGHT incluiu 511 pacientes com insuficiência tricúspide (IT) que receberam tratamento borda a borda com TriClip. A idade média da população foi de 79 anos, sendo 56% da mesma constituída por mulheres. Do total, 80% se encontrava em classe funcional III/IV, 23% tinha marca-passo, AICD ou terapia de ressincronização, 40% tinha sido hospitalizada ao menos uma vez no último ano e 40% apresentava deterioração da função renal. 

Em 90% dos casos, a causa da IT foi secundária. A insuficiência tricúspide mais frequente foi a massiva (61%), seguida da torrencial (27%) e, em menor medida, da severa. 

A fração de ejeção média foi de 56%, com uma lacuna de coaptação de 6,49% mm, um RV TAPSE de 1,7 e um volume do átrio direito de 156 ml. 

Leia também: Cirurgia não cardíaca pós-TAVI: quando realizá-la?

Em um ano de seguimento, a mortalidade por qualquer causa foi de 15,1%, a mortalidade cardíaca foi de 8,8%, a hospitalização por insuficiência cardíaca foi de 15,3%, a nova deterioração da função renal foi de 5,5% e a necessidade de marca-passo foi de 0,85%. 

Foi observada uma redução sustentável da IT para um nível ≤ moderado em 81% dos pacientes, com uma melhora na classe funcional e na qualidade de vida. 

Conclusão
O tratamento borda a borda com TriClip foi seguro e efetivo em um ano de seguimento em pacientes com insuficiência tricúspide significativa e doença avançada, segundo os dados do mundo real. 

Título Original: Real-World 1-Year Results of Tricuspid Edge-to-Edge Repair. From the bRIGHT Study

Referencia: Philipp Lurz, et al. J Am Coll Cardiol 2024;84:607–616.


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Dr. Carlos Fava
Dr. Carlos Fava
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

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