ACC 2025 | BHF PROTECT-TAVI: são realmente necessários os sistemas de proteção cerebral no TAVI?

A realização do TAVI tem mostrado um aumento contínuo, embora uma das complicações associadas continue sendo o acidente vascular cerebral (AVC), majoritariamente isquêmico e, com menor frequência, hemorrágico. 

ACC 2025

A fim de remediar o problema, implementou-se a utilização de dispositivos de proteção cerebral (CEP), mas sua efetividade continua sendo debatida, já que as distintas análises realizadas até o momento não mostraram resultados significativos ou concludentes. 

O estudo BHF PROTECT-TAVI incluiu 7601 pacientes que foram submetidos a TAVI. Dentre eles, 3798 foram tratados com o dispositivo SENTINEL (grupo CEP) enquanto o restante conformou o grupo controle (GC). 

O desfecho primário (DP) foi a ocorrência de AVC dentro das 72 horas posteriores ao procedimento ou antes da alta hospitalar. 

A idade média da população foi de 81 anos, com 39% de participação de mulheres. O EUROSCORE médio foi de 2,4%. No tocante às comorbidades, registrou-se 68% de hipertensão, 20% de diabetes, 8% de AIT, 6% de AVC prévio, 33% de doença coronariana, 13% de insuficiência cardíaca, 33% de fibrilação atrial, 33,5% de doença vascular periférica, 13% de alterações do arco aórtica (incluindo o arco bovino) e 8% de aorta bicúspide. 

Leia também: ACC 2025 | EVOLUTE LOW RISK: TAVI em baixo risco: evolução em 5 anos.

A fração de ejeção foi < 30% em 5,5% dos pacientes e entre 30% e 49% em 18%. O gradiente médio foi de 43 mmHg. A calcificação severa do anel aórtico foi observada em quase a metade dos pacientes e a calcificação do trato de saída em 4%.

Não foram observadas diferenças significativas no DP, com uma incidência de AVC de 2,1% no grupo CEP e de 2,2% no GP (diferença: –0,02 pontos percentuais; IC 95%: –0,68 a 0,63; p = 0,94). Tampouco houve diferenças na incidência de AVC severo (0,5% vs. 0,5%; diferença: 0,0 pontos percentuais; IC 95%: –0,3 a 0,3). A maioria dos AVC ocorreram dentro das primeiras 24 horas posteriores ao procedimento. 

Leia também: Principais estudos do segundo dia do ACC 2025.

Não foram observadas diferenças no tocante ao AVC incapacitante entre as semanas 6 e 8 pós-TAVI (1,2% vs. 1,4%; diferença: –0,2 pontos percentuais; IC 95%: –0,7 a 0,4), nem à mortalidade dentro das 72 horas, durante a internação ou em 8 semanas. 

Conclusão

Entre os pacientes submetidos a TAVI, o uso rotineiro de dispositivos de proteção cerebral não reduziu a incidência de AVC dentro das primeiras 72 horas. 

Título Original: Routine Cerebral Embolic Protection during Transcatheter Aortic-Valve Implantation.

Referência: Rajesh K. Kharbanda, et al. NEJM DOI: 10.1056/NEJMoa2415120.


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Dr. Carlos Fava
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Membro do Conselho Editorial da solaci.org

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