Subestudo FLAVOUR trial: FFR ou IVUS na avaliação de pacientes diabéticos

Os pacientes com diabetes (DBT) costumam apresentar uma doença coronariana mais complexa em comparação com os não diabéticos, com maior prevalência de doença coronariana difusa ou de múltiplos vasos. Além disso, estão expostos a um risco mais elevado de complicações relacionadas com a angioplastia (PCI) com stent, como a trombose do stent e a reestenose. Apesar dos avanços na técnica de PCI, a diabetes continua sendo um preditor independente de eventos adversos. 

Diversos estudos randomizados demonstraram a superioridade tanto do fluxo fracionado de reserva (FFR) quanto do ultrassom intravascular (IVUS) em comparação com a angiografia convencional. Recentemente, o estudo FLAVOUR evidenciou que em lesões intermediárias o uso do FFR ou do IVUS resultou em eventos clínicos comparáveis após um acompanhamento de 24 meses. 

Os pesquisadores analisaram os eventos em PCI guiada com FFR ou IVUS na população diabética do FLAVOUR. O desfecho primário foi a incidência de eventos cardiovasculares maiores (MACE), definidos como morte, infarto agudo do miocárdio (IAM) ou nova revascularização em 24 meses. O desfecho secundário foi a falha do vaso tratado (TVF), definida como morte cardíaca, IAM do vaso tratado ou revascularização do vaso alvo. 

Dos 1682 pacientes randomizados no FLAVOUR, 32,9% tinham diabetes e foram incluídos nesta subanálise. A idade média foi de 64,9 anos, com um escore de SYNTAX de 8,64 ± 6,03. Em comparação com os não diabéticos, os pacientes com diabetes apresentaram maior comprometimento multivaso e, no grupo IVUS, menor área luminal mínima (MLA) e maior carga de placa (PB). O grupo guiado por IVUS teve uma maior incidência de PCI em comparação com o grupo FFR, tanto em pacientes diabéticos quanto não diabéticos. 

Leia também: O TAVI apresenta maior mismatch protético em valvas bicúspides?

Não foram observadas diferenças significativas na taxa de MACE entre os pacientes diabéticos tratados com FFR vs. IVUS (9,3% vs. 8,3%, HR 0,96, IC 95%: 0,54-1,73; p = 0,90), nem na incidência de TVF (2,9% vs. 3,6%, HR 1,35, IC 95%: 0,51-3,56; p = 0,55).

Conclusões

No subestudo do FLAVOUR, não foram observadas diferenças significativas na incidência de MACE ou TVF entre pacientes diabéticos e não diabéticos tratados com FFR ou IVUS. Em concordância com os achados do estudo principal, o uso de IVUS se associou a uma maior taxa de implante de stent. 

Título Original: Fractional flow reserve- and intravascular ultrasound-guided strategies for intermediate coronary stenosis and low lesión complexity in patients with or without diabetes: a post hoc análisis of the randomised FLAVOUR trial.

Referência: Cho SW, Kang J, Zhang J, Hu X, Hwang JW, Kwak JJ, Hahn JY, Nam CW, Lee BK, Kim W, Huang J, Jiang F, Zhou H, Chen P, Tang L, Jiang W, Chen X, He W, Ahn SG, Yoon MH, Kim U, Lee JM, Hwang D, Ki YJ, Shin ES, Kim HS, Tahk SJ, Wang J, Koo BK, Doh JH. Fractional flow reserve- and intravascular ultrasound-guided strategies for intermediate coronary stenosis and low lesion complexity in patients with or without diabetes: a post hoc analysis of the randomised FLAVOUR trial. EuroIntervention. 2025 Feb 3;21(3):e183-e192. doi: 10.4244/EIJ-D-24-00589. PMID: 39901633; PMCID: PMC11776404.


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Dr. Omar Tupayachi
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Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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