A técnica de stent provisional stent (SP) é o padrão ouro para a intervenção coronariana percutânea (ICP) na maioria dos pacientes com lesões coronarianas em bifurcação (LCB). Além disso, os estudos EBC MAIN (Estudo do Tronco da Coronária Esquerda do Clube Europeu da Bifurcação) e EBC TWO (Estudo Europeu de Bifurcação Coronariana Dois), ambos realizados recentemente, demonstraram que no tratamento de lesões verdadeiras do tronco da coronária esquerda (TCE) ou de bifurcações coronarianas de grande tamanho os resultados clínicos da técnica de ST são comparáveis aos obtidos com uma estratégia inicial de dois stents.
A técnica de stent provisional requer dois passos fundamentais: primeiro, o implante do stent no vaso principal, seguido da pós-dilatação do segmento proximal com stent mediante a técnica de otimização proximal (POT). Contudo, ainda existe debate sobre a estratégia ótima para o tratamento do ramo lateral. Atualmente são reconhecidos dois enfoques principais: POT-kissing-POT (PKP) e POT-Side-POT (PSP). Nos estudos pré-clínicos a sequência PSP demonstrou ser mais eficaz para preservar os diâmetros do stent no segmento proximal, ao passo que a sequência PKP mostrou uma melhor expansão do stent no segmento distal.
O objetivo deste estudo prospectivo e randomizado foi comparar as sequências PKP e PSP mediante tomografia de coerência ótica (OCT) para avaliar as diferenças na configuração dos stents.
O desfecho primário (DP) foi a expansão do stent (MSE) no segmento distal do vaso principal. Os desfechos secundários (DS) incluíram a MSE em outros segmentos, a distância máxima e a área de má aposição. Outros DS avaliados foram a taxa de subexpansão do stent, a má aposição, a dissecção no extremo proximal do stent, o prolapso tissular, o trombo intracoronariano e a dissecção do óstio do ramo lateral ou intrastent.
Em total, foram realizados 60 procedimentos, designados aleatoriamente em uma proporção de 30 para cada sequência entre 2023 e 2024. A idade média dos pacientes foi de 70 anos. Na OCT posterior à intervenção, a MSE no segmento distal foi significativamente maior com a sequência PKP do que com a PSP (99,3 ± 12,7% vs. 83,8 ± 19,5%; p < 0,001). Outros achados relevantes incluíram uma maior taxa de má aposição no núcleo da bifurcação e no segmento distal com PSP, bem como uma melhor estrutura do ramo lateral com PKP. Não foram encontradas diferenças significativas no que tange à excentricidade do stent entre PSP e PKP em nenhum dos segmentos analisados.
Conclusão
Este é o primeiro estudo randomizado que compara diferentes sequências na técnica de stent provisional. Os achados sugerem que o uso da sequência PKP se associa com uma melhor conformação do stent no núcleo da bifurcação e no segmento distal, alcançando assim uma maior expansão e menor má aposição em comparação com a sequência PSP. No entanto, são necessários mais estudos para validar ditos resultados em populações mais amplas e diversas a fim de otimizar as estratégias de implante de stents em bifurcações.
Título Original: Comparison of stent geometry achieved by different side-branch ballooning techniques for bifurcation provisional stenting: THE CRABBIS TRIAL.
Referência: Francesco Bianchini, MD et al JACC 2025.
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