ESC 2025 | DIGIT-HF: Digitoxina na Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) continua sendo um desafio clínico, apesar dos avanços na otimização farmacológica e no uso de dispositivos. O estudo DIGIT-HF avaliou se a adição de digitoxina poderia melhorar os desfechos clínicos nessa população.

Tratou-se de um ensaio multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, que incluiu 1.240 pacientes com ICFER sintomática (NYHA II–IV, FEVE ≤40%) sob tratamento padrão otimizado. O desfecho primário foi um composto de mortalidade por todas as causas e hospitalização por insuficiência cardíaca.

Os resultados mostraram que a digitoxina reduziu o desfecho primário em 18% (HR 0,82; IC95% 0,69–0,98; p=0,03), com uma redução absoluta do risco de 4,6% (NNT=22). O benefício foi consistente em todos os subgrupos pré-especificados, sem sinais relevantes de toxicidade.

Os autores concluíram que a digitoxina constitui uma alternativa terapêutica segura e eficaz para melhorar o prognóstico de pacientes com ICFER, com critérios de inclusão facilmente aplicáveis à prática clínica diária.

Apresentado por Udo Bavendiek em Major Late Breaking Trials, ESC 2025, Madri, Espanha.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

Mais artigos deste autor

Angioplastia coronariana guiada por OCT e IVUS na síndrome coronariana aguda: resultados clínicos a longo prazo

A angioplastia coronariana percutânea (ATC) em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) reduziu a mortalidade na fase aguda. No entanto, a SCA recorrente e...

Quão reais são os efeitos adversos das estatinas? Evidência de ensaios clínicos randomizados

A segurança das estatinas continua sendo motivo de debate, em parte devido à extensa lista de efeitos adversos consignados nas bulas, muitos deles derivados...

Rolling Stone: registro de utilização de Litotripsia IV vs. Aterectomia em lesões calcificadas complexas

A calcificação coronariana severa representa uma das principais dificuldades na realização de uma angioplastia coronariana, tanto pelo maior risco de subexpansão do stent quanto...

Registro Global Morpheus: segurança e eficácia do stent longo cônico BioMime Morph em lesões coronárias complexas

A angioplastia em lesões coronárias longas continua representando um desafio técnico e clínico, no qual o uso de stents cilíndricos convencionais pode se associar...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Angioplastia coronariana guiada por OCT e IVUS na síndrome coronariana aguda: resultados clínicos a longo prazo

A angioplastia coronariana percutânea (ATC) em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) reduziu a mortalidade na fase aguda. No entanto, a SCA recorrente e...

Resultados de seguimento de um ano do ENCIRCLE: substituição mitral percutânea em pacientes não candidatos a cirurgia nem a TEER

A insuficiência mitral (IM) sintomática em pacientes não candidatos a cirurgia nem a reparo transcateter borda a borda (TEER) continua representando um cenário de...

É possível que angiografia coronariana substitua a CCG na avaliação das coronárias prévia ao TAVI?

A doença coronariana coexiste em aproximadamente a metade dos pacientes candidatos ao TAVI, o que torna necessária sua avaliação antes do procedimento. A coronariografia...