Segurança da drenagem profilática de líquido cefalorraquidiano na reparação aberta e endovascular de aneurismas aórticos torácicos e toracoabdominais


A lesão medular continua sendo uma das complicações mais devastadoras da reparação de aneurismas torácicos e toracoabdominais, associando-se principalmente ao comprometimento da artéria de Adamkiewicz e à sua rede colateral. A drenagem profilática de líquido cefalorraquidiano (LCR) é empregada com o objetivo de reduzir dito risco, ao incrementar a pressão de perfusão espinal. 

SAFE-AAA: ¿Son seguros los dispositivos Endologix en aneurisma de aorta abdominal? Seguimiento a 3 años

Este estudo retrospectivo de um único centro avaliou a segurança dessa estratégia em 1445 pacientes tratados entre 1987 e 2023 (1029 com reparação aberta e 416 com abordagem endovascular), dentre os quais 1007 foram submetidos a drenagem profilática (777 no grupo de reparação aberta e 230 no de reparação endovascular). A idade média foi de 68 anos e 56% da população correspondeu a pacientes do sexo masculino. Antes do ano 2000 os cateteres utilizados eram de menor calibre, com uma drenagem média de 125 ml intraoperatórios; entre 2000 e 2023, o volume médio drenado foi de 132 ml em cirurgia aberta e de 81 ml em endovascular. 

O desfecho primário foi a incidência de complicações neurológicas atribuíveis à drenagem, ao passo que o secundário incluiu a ocorrência de eventos menores (sangue no LCR, cefaleia pós-punção, sangramento intracraniano sem déficit neurológico) e a frequência de lesão medular transitório ou permanente. 

As complicações neurológicas graves relacionadas com a drenagem foram extremamente infrequentes: somente 6 pacientes (0,6% do total), 5 em cirurgia aberta (0,77%) e em endovascular (0,43%). Os eventos registrados incluíram três hematomas subdurais, um hematoma cerebeloso, um hematoma epidural espinal e um hematoma cerebeloso associado com a hipertensão intraoperatória. Quatro pacientes faleceram e os dois restantes se recuperaram completamente com leve ataxia residual. 

Leia também: Análise retrospectiva de DCB vs. DES no tratamento do ramo lateral.

Entre os eventos menores, observou-se LCR hemático em 20,7% dos casos abertos e em 21,7% dos casos endovasculares; presença de sangue intracraniano assintomática em tomografia em 9,9% e 6,1%, respectivamente; e cefaleia que requereu parche hemático em 7,6% e 11,7%. No tocante à complicação mais relevante – a lesão medular secundária ao comprometimento da artéria de Adamkiewicz –, a incidência global de paraplegia ou tetraplegia permanente foi baixa: 4,2% em cirurgia aberta e 1,2% em endovascular, ao passo que as lesões transitórias se apresentaram em 5,6% e 3,6%, respectivamente. 

Conclusão 

Em síntese, a drenagem profilática de LCR demonstrou ser uma estratégia segura, com uma taxa de complicações neurológicas graves inferior a 1% e um possível benefício na redução da lesão medular posterior à reparação aórtica, evidenciado por taxas de paraplegias ou tetraplegias menores que as historicamente reportadas (até 13% sem drenagem). 

Título Original: A report of the safety of prophylactic spinal fluid drainage in open and endovascular thoracic and thoracoabdominal aortic aneurysm patients.

Referência: Lucas Skoda, DO; Charles Acher, MD; et al. Journal of Vascular Surgery, Volumen 82, 1549–1555, 2025.


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