CRT 2026 | CUT-DRESS Trial: preparação da lesão com cutting balloon

A reestenose intra-stent (RIS) continua representando um desafio clínico relevante na prática contemporânea da angioplastia coronariana. Apesar dos avanços nos stents farmacológicos, a hiperplasia neointimal e a expansão subótima do stent continuam sendo determinantes dos resultados clínicos a longo prazo. Por tal motivo, a adequada preparação da lesão se consolidou como um elemento fundamental para otimizar o resultado do procedimento. 

O estudo CUT-DRESS avaliou o impacto da pré-dilatação com cutting balloon (CB) vs. a pré-dilatação com balão convencional antes do implante do stent farmacológico Abluminus DES. Tratou-se de um estudo randomizado, iniciado por pesquisadores, no qual os pacientes foram designados antes da preparação da lesão a uma estratégia de pré-dilatação com CB ou com balão convencional. 

Foram incluídos 96 pacientes com lesões coronarianas aptas para tratamento com o stent Abluminus, excluindo-se aqueles com IAMCEST, lesões de tronco da coronária esquerda, by-pass arteriais ou venosos, CTO e reestenoses intra-stent complexas. 

Os desfechos primários foram a área mínima do stent (MSA) pós-procedimento e a porcentagem de hiperplasia neointimal em 9 meses. 

Na análise angiográfica, não foram observadas diferenças significativas entre as estratégias de preparação da lesão. A MSA foi de 4,81 mm² no grupo balão convencional vs. 5,92 mm² no grupo CB, sem alcançar diferença estatisticamente significativa (p = 0,06). 

De maneira similar, a porcentagem de hiperplasia neointimal em 9 meses foi comparável entre os dois grupos (12,7% vs. 11,1%; p = 0,188).

Leia também: CRT 2026 | Clopidogrel vs. aspirina como monoterapia a longo prazo após uma angioplastia coronariana.

No tocante aos resultados clínicos em um ano, a incidência de eventos foi baixa e não foram observadas diferenças significativas entre as duas estratégias. 

O estudo CUT-DRESS demonstrou que a pré-dilatação com CB antes do implante de um stent Abluminus não se associou com uma melhora significativa da MSA nem da hiperplasia neointimal. 

Apresentado por Jorge Sanz Sánchez nos Late Breaking Clinical Trials, CRT 2026, Washington, EUA.


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Dr. Omar Tupayachi
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