ACC 2026 | ORBITA-CTO: PCI em oclusões totais crônicas e angina estável. O estudo randomizado que nos faltava?

A angioplastia (PCI) das oclusões totais crônicas (CTO) continua sendo um terreno de debate no contexto da angina estável, com persistente incerteza em seu manejo segundo as diretrizes europeias e norte-americanas. 

Congresso ACC 2026 - Cobertura Científica

O objetivo do estudo ORBITA-CTO foi determinar se a CTO-PCI poderia melhorar os sintomas de angina em comparação com um procedimento placebo em pacientes com angina estável, isquemia e viabilidade, mediante um design randomizado e controlado com placebo. 

Foram incluídos pacientes com CTO de apenas um vaso, evidência de isquemia e viabilidade, sintomas de angina ou equivalente anginoso e anatomia considerada, por consenso, factível de tratamento, com uma complexidade J-CTO ≤ 3. O protocolo contemplou uma fase prévia de otimização médica e avaliação de sintomas durante 2 semanas, com titulação de terapia antianginosa e registro diário da frequência de angina mediante um aplicativo móvel. Posteriormente, antes da randomização invasiva, os antianginosos foram suspensos. 

Todos os pacientes foram abordados por acesso bilateral, com angiografia dual, sedação e isolamento auditivo. Foram designados a CTO-PCI ou a um procedimento placebo, seguido de uma recuperação protocolizada e seguimento cego durante 24 semanas, com reintrodução de antianginosos a critério do paciente e avaliação diária de sintomas mediante o aplicativo. O desfecho primário foi o angina sympton score (que incluía episódios de angina, uso de medicação antianginosa e eventos coronarianos não aceitáveis. 

Leia também: ACC 2026 | FAST III: vFFR versus FFR na revascularização guiada por fisiologia de lesões coronarianas intermediárias.

Foram incluídos 50 pacientes randomizados: 25 designados a CTO-PCI e 25 a placebo. Os resultados mostraram que a CTO-PCI melhorou significativamente o angina symptom score, com um OR de 4,38 (ICr: 1,57 a 12,69) e uma probabilidade de benefício de 99,6%. Além disso, a estratégia invasiva se associou a 30,6 dias adicionais livres de angina em comparação com o placebo (ICr 11,1 a 50,7), com uma probabilidade de benefício > 99, 9%. 

No tocante aos desfechos secundários, não foram observadas diferenças claras com o uso de medicação antianginosa, com uma estimativa de 1,54 (ICr: 0,37 a 6,46) e uma probabilidade de benefício de 71,5%. 

Conclusões: a angioplastia de CTO melhora significativamente os sintomas de angina em comparação com o placebo

Em pacientes com angina estável, evidência de isquemia e viabilidade e lesões com J-CTO ≤ 3, a angioplastia de CTO melhorou os sintomas de angina segundo o angina symptom score, com um efeito imediato, sustentado durantes 24 semanas e consistente em relação aos distintos desfechos. 

Apresentado por Sarosh Khan nos Late-Breaking Clinical Trials, ACC.26, 28-30 de março em Nova Orleans, EUA.


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Dr. Omar Tupayachi
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