Revascularização coronariana prévia ao TAVI: PCI prévia ou manejo conservador?

A coexistência de doença coronariana (DAC) em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI é frequente, com uma prevalência relatada de entre 30% e 75%. Seu manejo ótimo continua sendo motivo de controvérsia, já que a evidência que respalda a revascularização sistemática prévia é limitada e provém de estudos com resultados discordantes. Em dito contexto, o presente estudo visou a avaliar se a PCI prévia ao TAVI se associa com um benefício clínico em pacientes com DAC significativa em um cenário de prática real. 

Foi realizado um estudo observacional baseado em registros nacionais suecos (SWENTRY, SCAAR, SWEDEHEART), que incluiu 2.578 pacientes submetidos a TAVI entre 2008 e 2023 com DAC significativa (estenose ≥ 50% angiográfica ou funcionalmente relevante). A doença coronariana comprometia um, dois ou três vasos (com maior proporção de doença multivaso no grupo PCI), com lesões tanto proximais como distais. A angioplastia foi realizada predominantemente em vasos epicárdicos maiores (principalmente DA, CX e CD), com implante de stents farmacológicos em 92% dos casos e revascularização completa em 76%. Da coorte total, 1.182 pacientes (45,8%) foram submetidos a PCI prévia e 1.396 (54,2%) receberam tratamento conservador. A idade média da população foi de 81,7 ± 6,3 anos, com 61,4% de homens e um seguimento médio de 2,7 anos (RIC 1,3–4,6).

O desfecho primário foi um composto de mortalidade total, infarto do miocárdio (IAM) e revascularização urgente. Os desfechos secundários incluíram os componentes individuais do desfecho primário, mortalidade cardiovascular, qualquer revascularização, acidente vascular cerebral (AVC) e sangramento. 

A PCI prévia ao TAVI não reduz mortalidade nem infarto em pacientes com doença coronariana significativa. 

Durante o seguimento foram registrados 1.119 eventos (43%) do desfecho composto: 1.048 mortes (41%) (uma taxa de mortalidade considerável para um seguimento de aproximadamente 2 anos), 133 IAM (5,2%) e 75 revascularizações urgentes (2,9%). A incidência do desfecho composto foi de 45% no grupo PCI e de 42% no grupo conservador, sem diferenças significativas na análise ajustada (HR: 0,98; IC de 95%: 0,85–1,14; p = 0,80). Tampouco foram observadas diferenças em termos de mortalidade total, revascularização urgente, mortalidade cardiovascular nem AVC. 

Leia também: Aterectomia rotacional e seus segredos técnicos: utilização de guia floppy ou extra-support (ES).

Entretanto, a PCI se associou com uma redução do risco de qualquer revascularização durante o seguimento (HR: 0,46; IC de 95%: 0,30–0,72; p < 0,001), o que representa uma diminuição relativa de 54%. Em contraposição, observou-se um aumento significativo do risco de sangramento, com uma incidência de 17% no grupo PCI vs. 12% no grupo conservador (OR: 1,59; IC de 95%: 1,23–2,04; p < 0,001).

Conclusão: menos revascularizações mas maior risco de sangramento. O balanço clínico da PCI antes do TAVI

Nesta coorte de pacientes com DAC significativa submetidos a TAVI, a revascularização de PCI prévia não se associou com uma redução da mortalidade, do infarto nem da revascularização urgente. Contudo, sim diminuiu a necessidade de revascularizações posteriores com o contraponto de um incremento significativo no risco de sangramento. Estes achados reforçam a importância de uma estratégia individualizada baseada na severidade da DAC, no risco hemorrágico e na acessibilidade coronariana após o TAVI. 

Título Original: PCI Versus Conservative Management Before TAVR in Patients With Significant Coronary Artery Disease: A Nationwide Instrumental Variable Analysis.


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