ESC 2018 | FRANCE-TAVI: fibrilação atrial e anticoagulação estão associadas a mortalidade no TAVI

Talvez algum dos muitos estudos randomizados em curso que incluíram pacientes com fibrilação atrial (FA) possa responder à pergunta sobre qual é o melhor regime antitrombótico após TAVI.

Segundo este registro de pacientes que receberam implante percutâneo da valva aórtica, ser de sexo masculino, ter disfunção renal moderada a severa e ter fibrilação atrial são preditores independentes de morte no seguimento de 3 anos. O uso de anticoagulação, que foi principalmente indicado no contexto de FA, esteve associado também de maneira independente a mortalidade a longo prazo.

 

Paradoxalmente, o uso de anticoagulantes orais também se associou a menor risco de deterioração hemodinâmica da prótese. Entretanto, o significado clínico deste achado ultrassonográfico é desconhecido.

 

O fato de se tratar de um registro faz com que tenha limitações, basicamente, se o aumento do risco de mortalidade com os anticoagulantes está ligado à FA ou se é realmente um preditor independente. Múltiplos ajustes estatísticos foram realizados para tentar responder essa pregunta, mas somente um estudo randomizado poderá fazê-lo de forma definitiva.s


Leia também: ESC 2018 | ARRIVE: a aspirina no olho da tormenta da prevenção primária.


Felizmente, há vários estudos randomizados em andamento (GALILEO, ATLANTIS, ENVISAGE, POPULAR, AVATAR e AUREA) que buscam responder essa pergunta.

 

Por enquanto, os guias da prática clínica atual sugerem dupla antiagregação plaquetária por 3 a 6 meses após TAVI e não há nenhuma indicação para anticoagulação em ausência de FA.

 

O registro francês incluiu 11.469 pacientes que receberam TAVI em 48 hospitais entre o ano 2013 e 2015. Do total, 83,3% teve alta com aspirina e 44,5% com dupla antiagregação plaquetária com aspirina e clopidogrel. Apenas 2,9% teve alta com dupla antiagregação mais anticoagulação. Aproximadamente um terço teve alta com anticoagulação, e 71% dos pacientes desse grupo estavam fibrilados.


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Parece ser que o esquema antitrombótico após TAVI é condicionado pelas características do paciente e não pelo dispositivo utilizado.

 

O uso de válvulas pequenas (23 mm ou menos) se associou a três vezes mais risco de disfunção valvar no ultrassom.

 

Título original: Long-term mortality and early valve dysfunction according to anticoagulation use: the FRANCE-TAVI registry.

Referência: Apresentado por Jean-Philippe Collet no ESC 2018 de Munique e publicado simultaneamente em J Am Coll Cardiol. 2018; Epub ahead of print.


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