ONYX ONE: mais opções em pacientes com alto risco de sangramento

Desde novembro de 2015, quando foi publicado no NEJM o estudo LEADERS FREE, os stents farmacológicos livres de polímero se tornaram praticamente consenso para tratar pacientes com alto risco de sangramento. Este benefício ficou consagrado pela maior eficácia e segurança que mostrou o stent eluidor de biolimus (também chamado umirolimus) livre de polímero vs. os stents convencionais no contexto de apenas um mês de dupla antiagregação plaquetária. 

stents libres de polímero

O uso de stents farmacológicos com polímero neste grupo de pacientes com alto risco de sangramento e somente um mês de clopidogrel foi discutido até ontem antes da publicação, também no NEJM, do estudo ONYX ONE. 

Este último trabalho randomizou 1996 pacientes com alto risco de sangramento a receberem o stent com polímero eluidor de zotarolimus vs. o stent livre de polímero eluidor de biolimus. 

Após a angioplastia todos os pacientes receberam apenas um mês de dupla antiagregação seguida de monoterapia antiagregante. O desfecho primário foi de segurança e combinou morte cardíaca, infarto ou trombose do stent em seguimento de 1 ano. O desfecho secundário de eficácia e segurança incluiu morte cardíaca, infarto relacionado com o vaso alvo ou revascularização da lesão alvo com justificação clínica. Ambos os desfechos foram calculados para provar não inferioridade. 


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Em um ano de seguimento o desfecho primário foi de 17,1% com o stent eluidor de zotarolimus vs. 16,9% com o stent livre de polímero eluidor de biolimus (p para não inferioridade = 0,01).

O desfecho secundário foi praticamente idêntico (17,6% vs. 17,4%; p para não inferioridade = 0,007).

Conclusão

Em pacientes com alto risco de sangramento que recebem somente um mês de dupla antiagregação plaquetária após uma angioplastia coronariana utilizar o stent eluidor de zotarolimus com polímero permanente vs. o stent livre de polímero eluidor de biolimus é igualmente seguro e efetivo. 

Título original: Polymer-based or Polymer-free Stents in Patients at High Bleeding Risk.

Referência: S. Windecker et al. N Engl J Med 2020, online before print.


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