O estudo HERA-TAVI é um registro internacional multicêntrico que comparou os resultados clínicos e hemodinâmicos das válvulas cardíacas transcateter autoexpansíveis contemporâneas de design intra-anular (IA) e supra-anular (SA). O principal objetivo foi avaliar os resultados em 30 dias e em 1 ano entre as plataformas de nova geração Navitor/Navitor Vision (IA) e Evolut FX/FX+ (SA). O desfecho primário foi um composto de morte por qualquer causa, acidente vascular cerebral (AVC) incapacitante ou hospitalização por insuficiência cardíaca.

O estudo incluiu 2.607 pacientes tratados entre junho de 2021 e abril de 2025. Para minimizar as diferenças basais entre os grupos foi realizado um emparelhamento por escore de propensão (Propensity Score Matching, PSM), obtendo-se 892 pares de pacientes adequadamente equilibrados. A idade média foi de 81 anos, a maioria dos participantes eram mulheres e o escore STS médio foi de 4,2.
No tocante aos resultados, não foram observadas diferenças significativas no objetivo composto de morte por qualquer causa, AVC incapacitante ou hospitalização por insuficiência cardíaca em um ano de seguimento (12,6% para IA versus 11,3% para SA; p = 0,422). Do mesmo modo, a taxa de sucesso do dispositivo foi elevada e comparável entre os dois grupos, alcançando 91,1% nas válvulas IA e 90,9% nas válvulas SA.
Do ponto de vista da segurança, a necessidade de implante de marca-passo permanente foi significativamente mais frequente no grupo de válvulas IA (22,1% vs. 16,3%; p = 0,007), ao passo que os sangramentos maiores ou potencialmente mortais foram registrados com maior frequência no grupo de válvulas SA (4,2% VS. 2,6%; p < 0,001).
Em termos hemodinâmicos, ambos os tipos de válvulas demonstraram um rendimento excelente e sustentável em 1 ano, com gradientes transvalvares médios baixos e taxas similares de regurgitação paravalvar moderada ou grave.
Seleção personalizada da válvula em TAVI: a chave para otimizar os resultados
O estudo conclui que as válvulas autoexpansíveis intra-anulares e supra-anulares contemporâneas oferecem resultados clínicos e hemodinâmicos comparáveis a longo prazo apesar de apresentarem perfis de segurança procedimental diferentes.
Cientes dessas diferenças específicas – maior necessidade de marca-passo permanente com as válvulas IA e maior incidência de sangramento com as válvulas SA –, os autores recomendam individualizar a seleção da prótese. Para isso, é fundamental integrar as características anatômicas de cada paciente, as considerações de manejo a longo prazo, incluindo o acesso coronariano futuro, e a experiência da equipe tratante.
Título original: Clinical and haemodynamic outcomes with contemporary intra- and supra-annular self-expanding valves: the multicentre international HERA-TAVI registry.
Referência: Matteo Casenghi et al. EuroIntervention. 2026;22:e1-e1.
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