A expansão do TAVI a pacientes mais jovens e com menor risco cirúrgico abriu uma nova discussão: para além da mortalidade ou do AVC, que estratégia permite alcançar um melhor estado funcional e uma maior qualidade de vida a longo prazo? A subanálise do estudo NOTION-2, apresentado por Ole De Backer durante o Euro-PCR 2026, avaliou o estado de saúde clínico após o TAVI versus cirurgia de substituição valvar aórtica (SAVR) em pacientes jovens, de baixo risco e com estenose aórtica severa sintomática.

O estudo incluiu 370 pacientes de entre 60 e 75 anos, randomizados em uma relação 1:1 a TAVI (n = 187) ou SAVR (n = 183), com um seguimento clínico de 3 anos. A população representou um perfil de baixo risco, com um STS-PROM médio de 1,1%.
A análise principal do NOTION-2 tinha demonstrado a ausência de diferenças significativas em termos de morte ou AVC incapacitante entre as duas estratégias em seguimento de 3 anos, com taxas de 5,4% para TAVI e de 4,9% para cirurgia (p = 0,4).
Esta nova apresentação incorporou um desfecho focado na obtenção de uma alta qualidade de vida e na ausência de limitações físicas significativas, integrando os resultados do Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire (KCCQ) juntamente com a classe funcional NYHA. Em paralelo, o desfecho primário de segurança continuou sendo a ausência de morte e AVC incapacitante.
Com um ano de seguimento, a porcentagem de pacientes com um estado de saúde considerado “excelente” foi superior no grupo TAVI (55%) em comparação com o SAVR (46,8%). Tal diferença se manteve aos 3 anos, com taxas de 50% e 45%, respectivamente. Em termos de segurança, aproximadamente 95% dos pacientes permaneciam vivos e livres de AVC incapacitante aos 3 anos em ambos os grupos (94,6% para TAVI vs. 95,1% para SAVR).
Embora o estudo não tenha contado com o poder estatístico suficiente para demonstrar superioridade, observou-se uma tendência consistente a melhores resultados clínicos e funcionais com o TAVI em subgrupos de maior complexidade, como os de pacientes com valva bicúspide, doença pulmonar crônica, doença coronariana, deterioração da função ventricular esquerda ou antecedente de AVC.
TAVI e cirurgia: resultados similares, melhor qualidade de vida com TAVI.
Esta subanálise do NOTION-2 demonstrou que tanto o TAVI quanto a SAVR oferecem excelentes resultados clínicos em seguimento de 3 anos em pacientes jovens e de baixo risco, com aproximadamente 95% de sobrevivência livre de AVC incapacitante. Contudo, o TAVI demonstrou uma tendência favorável em termos de qualidade de vida e estado funcional, especialmente em pacientes com características clínicas mais complexas. Os achados aqui apresentados ressaltam a importância de que a escolha entre uma estratégia ou outra contemple não só o risco cirúrgico e a durabilidade da prótese, mas também aspectos relacionados com a recuperação funcional e a percepção de saúde por parte do paciente.
Título Original: Health status after TAVI vs. SAVR in young low-risk patients with aortic stenosis: a NOTION-2 sub-analysis.
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