Gravar a fluoroscopia diminui a dose de radiação ao paciente e ao operador sem diminuir o rendimento diagnóstico de um estudo angiográfico coronário.

Titulo Original: Effectiveness of Fluorography Versus Cineangiography at Reducing Radiation Exposure During Diagnostic Coronary Angiography. Referência: Shah B et al. Am J Cardiol. 2014 Apr 1;113(7):1093-8.

A angiografia coronária é o padrão de ouro para a definição da doença coronária obstrutiva significativa. Sem embargo, a exposição à radiação continua sendo um risco não desejado e não completamente esclarecido. O objetivo deste estudo foi saber se com os novos métodos digitais de gravação fluoroscópica se reduz a radiação ao paciente e ao operador.

Foram analisados pacientes referidos para angiografia coronária com uma circunferência abdominal < 115 cm e uma taxa de filtração glomerular > 60 ml / min os quais foram randomizados a gravar a fluoroscopia (n = 25) ou a cineangiografia convencional (n = 25).  Aos pacientes do  grupo fluoroscopia lhes foi realizada coronariografia mediante fluoroscopia gravada em forma digital de forma retrospectiva com repetição de injeção sob cineangiografia só quando fosse necessário para uma melhor resolução a critério do operador.

O desfecho final primário foi a exposição à radiação do paciente medido por película radio crômica. Os objetivos secundários incluíram a radiação secundária medida pelo produto kerma – área e kerma no ar no ponto de referência de intervenção (Ka, r) e a exposição à radiação do operador medido por um dosímetro. 

A exposição à radicação recebida pelos pacientes resultou significativamente menor no grupo fluoroscopia em comparação com o grupo cineangiografia (158.2 mGy [76,5-210,2] vs 272,5 mGy [163,3-314] respectivamente; p=0,001), produto kerma – área(1323 mGy . m2 [826-1765] vs 3.451 mGy . m2 [2464-4818]; p < 0,001 ), y Ka, r (175mGy [ 112-252 ] vs 558 mGy [313-621 ]; p < 0,001). Isso representa una redução relativa de 42 %, 62 % y 69 % respectivamente.

A exposição à radiação recebida pelo operador registrou uma tendência na mesma direção, embora estatisticamente não significativa (fluoroscopia 2,35 mGy [1.24-6.30] vs cineangiografia 5,03 mGy [2,48-7,80], p =0.059). 

Conclusão

A gravação digital da fluoroscopia em um grupo seleto de pacientes durante a angiografia coronária, com repetição da injeção sob cineangiografia só quando for necessário, foi eficaz para reduzir a exposição à radiação ao paciente.

Comentário editorial:

Os novos equipamentos de cinecoronariografia têm ampliado as fronteiras da especialidade com numerosas e práticas aplicações. Uma delas é a possibilidade de gravar uma tomada fluoroscópica sem a necessidade de realizar uma aquisição de cine. Neste estudo vemos que a realização desta gravação fluoroscópica diminui significativamente a radiação ao paciente e marca uma tendência positiva de diminuição de radiação ao profissional sem impactar no rendimento diagnóstico. Nesta época onde a quantidade  de procedimentos invasivos bem como também a duração dos mesmos têm incrementado em forma exponencial, esta conduta poderia impactar em forma positiva tanto no paciente como nos operadores. Tal vez a limitação deste tipo de prática seja que em nosso médio não todos os centros estão equipados com esse tipo de tecnologia.

Gentileza Dr Matías Sztejfman
Cardiologista Intervencionista.
Sanatório Güemes 
Buenos Aires, Argentina.

Dr. Matías Sztejfman

Mais artigos deste autor

ACC 2025 | FAME 3: Angioplastia guiada por FFR vs. cirurgia de revascularização. Resultados finais em seguimento de 5 anos

Em anos anteriores os estudos que compararam a angioplastia coronariana (PCI) com a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG) mostraram uma menor quantidade de eventos...

ACC 2025 | FLAVOUR II: Angioplastia guiada por FFR derivado de angiografia vs. angioplastia com IVUS

A avaliação fisiológica é eficaz na tomada de decisões para a realização de uma angioplastia coronariana (PCI). No entanto, apesar da evidência disponível, seu...

Estudos CRABBIS: Comparação de distintas sequências para a técnica de stent provisional

A técnica de stent provisional stent (SP) é o padrão ouro para a intervenção coronariana percutânea (ICP) na maioria dos pacientes com lesões coronarianas...

Estudo Andromeda: metanálise de balão eluidor de fármacos vs. stents em lesões de novo de pequenos vasos

O uso de stents coronarianos em comparação com a angioplastia com balão simples (POBA) permitiu reduzir o recoil e a dissecção limitante de fluxo...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2025 | FAME 3: Angioplastia guiada por FFR vs. cirurgia de revascularização. Resultados finais em seguimento de 5 anos

Em anos anteriores os estudos que compararam a angioplastia coronariana (PCI) com a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG) mostraram uma menor quantidade de eventos...

ACC 2025 | FLAVOUR II: Angioplastia guiada por FFR derivado de angiografia vs. angioplastia com IVUS

A avaliação fisiológica é eficaz na tomada de decisões para a realização de uma angioplastia coronariana (PCI). No entanto, apesar da evidência disponível, seu...

ACC 2025 | API-CAT: Anticoagulação estendida com dose reduzida vs. plena de Apixabana em pacientes com DTV associada ao câncer

O risco de recorrência da doença tromboembólica venosa (DTV) associada ao câncer diminui com o tempo, ao passo que risco de sangramento persiste. Atualmente...