A fibrilação atrial tem um impacto importante no TAVI

Título original: Atrial Fibrillation Is Associated With Increased Mortality in Patients Undergoing Transcatheter Aortic Valve Replacement: Insights From the Placement of Aortic Transcatheter Valve (PARTNER) Trial. Referência: Angelo B. Biviano et al. Circ Cardiovasc Interv. 2016 Jan;9(1):e002766.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

O desenvolvimento de fibrilação atrial (FA) no contexto de uma cirurgia de substituição valvular aórtica se associa a maior risco de mortalidade. Os pacientes que recebem substituição valvular aórtica transcatéter (TAVI) têm uma incidência de FA de entre 6 e 53%. No entanto seu impacto não está ainda tão bem estudado quanto nos que recebem cirurgia.

Foram analisados 1.879 pacientes do estudo Partner, dos quais 1.262 se encontravam em ritmo sinusal (RS) na entrada e na alta (RS/RS), 113 RS na entrada e FA na alta (RS/FA), 470 apresentaram FA na entrada e na alta (FA/FA) e 34 FA na entrada e RS na alta (estes últimos foram excluídos).
O escore STS foi mais alto e a fração de ejeção mais baixa no grupo FA/FA.

O RS basal com bloqueio AV de primeiro grau se associou a FA no momento da alta. O mesmo não ocorreu com aqueles que apresentavam bloqueio no ramo.

Em 30 dias o grupo RS/FA teve maior mortalidade por qualquer causa (14,2% RS/FA vs. 2,6% RS/RS; p = 0,0002) sem serem observadas diferenças no que diz respeito à rehospitalização, AVC, acidente isquêmico transitório, sangramento maior e complicações vasculares maiores. A necessidade de marca-passo definitivo foi maior no grupo RS/FA. A internação foi mais prolongada nos que apresentavam FA/FA.

O grupo RS/FA apresentou o dobro de mortalidade em um ano comparado ao resto dos grupos (37,5% RS/FA vs. 15,8% RS/RS; HR=2,14; p < 0,0001), além de ter apresentado maior requerimento de marca-passo definitivo, rehospitalização por insuficiência cardíaca e diálise.
A mortalidade do grupo FA/FA foi de 29,9%.

Os pacientes que tiveram alta do hospital com FA mas com uma frequência cardíaca < 90 por minuto tiveram menor mortalidade e eventos cardiovasculares que aqueles pacientes com um mal controle da resposta ventricular.

Conclusão
Em pacientes que recebem TAVI a presença de fibrilação atrial no momento do egresso hospitalar se associa a um aumento de mortalidade. É importante remarcar o efeito deletério da fibrilação atrial e à necessidade de tomar medidas ativas para melhorar os resultados.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.
Cardiologista Intervencionista
Fundación Favaloro – Buenos Aires

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