O acesso radial é útil nas oclusões crônicas totais?

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

O acesso radial é útil nas oclusões crônicas totais?O desenvolvimento do acesso radial foi avançando com o passar do tempo e seu uso foi se consolidando em angioplastias cada vez mais complexas sem perder os benefícios do clássico acesso femoral. Dita realidade fez com que o acesso femoral, em muitos centros de alto volume de procedimentos, passasse a ser usado somente em alguns procedimentos particulares.

 

As oclusões crônicas totais (CTO) são um verdadeiro desafio e realizá-las por acesso radial poderia torná-las ainda mais desafiantes, embora o acesso radial possa aumentar a segurança do procedimento. Todos esses interrogantes que surgem na hora de decidir o acesso em uma oclusão total crônica careciam de resposta.

 

Foram analisadas 585 oclusões crônicas totais, das quais 280 (47,8%) foram feitas por acesso radial (AR) e 308 (52,1%) por acesso femoral (AF). As populações foram similares a não ser pelo fato de os pacientes que foram tratados com acesso femoral terem apresentado mais frequentemente o antecedente de cirurgia de revascularização miocárdica. A CTO mais frequente foi a da coronária direita seguida pela artéria descendente anterior. 

 

A presença de calcificação severa e oclusão ≥ 20 mm foi mais frequente no grupo de acesso femoral. Ao contrário, as que se realizaram por acesso radial apresentaram uma tendência a menor escore J-CTO. O sucesso técnico foi similar (74% AR e 72,5% AF).

 

As amostras foram equiparadas com Propensity Score com 187 pacientes em cada grupo. Não houve diferenças no que diz respeito ao sucesso do procedimento, mas utilizou-se uma menor quantidade de contraste nos procedimentos realizados por acesso femoral.

 

A falha do sucesso se relacionou com:

  • Calcificação moderada ou severa,
  • Lesões > 20 mm,
  • Ausência de stump,
  • Escore J-CTO ≥ 3.

 

Nos pacientes que apresentaram escore J-CTO ≥ 3, o acesso radial teve menor sucesso (35,7% vs. 58,2%) em comparação com o femoral.

 

A utilização de um cateter-guia < 7F, a calcificação, o comprimento da oclusão > 20 mm e a idade se associaram a fracasso da recanalização por acesso radial.

 

Conclusão

A recanalização de oclusões crônicas totais por acesso radial talvez seja factível nos casos menos complexos. Para os casos mais difíceis, principalmente nos que a calcificação é severa, o acesso femoral teve melhores resultados.

 

Comentário editorial

As oclusões crônicas totais são um dos grandes desafios que enfrentamos na atualidade e relacionam-se com procedimentos com maior taxa de complicações, muitas das quais ligadas à via de acesso.

 

A via radial é uma grande alternativa em algumas oclusões crônicas totais por seu benefício demonstrado, mas existe um grupo significativo no qual ainda é mister o uso do acesso femoral. É necessário desenvolver novos e melhores dispositivos para serem utilizados nas oclusões crônicas totais.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava. Fundação Favaloro, Buenos Aires, Argentina.

 

Título original: Transradial Coronary Intervention for Complex Chronic Total Occlusions.

Referência: Yutaka Tanaka et al. J Am Coll cardiol Intv 2017;10:235-43.


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