Proteção cerebral em TAVR: ajuda a melhorar a função cognitiva?

Proteção cerebral em TAVRAs complicações neurológicas durante o implante percutâneo da valva aórtica (TAVR) poderiam ser reduzidas com dispositivos de proteção cerebral. Este trabalho foi desenhado para explorar essa hipótese.

 

Foram incluídos 363 pacientes que receberam TAVR em 19 centros. Os pacientes foram divididos em três ramos:

  • Um ramo de segurança (n = 123),
  • Um ramo com imagens dos que receberam o dispositivo (n = 121),
  • Um ramo com imagens sem o dispositivo de proteção cerebral (n = 119).

 

O desfecho primário de segurança consistiu em eventos cardiovasculares e cerebrovasculares maiores em 30 dias. O desfecho primário de eficácia foi a redução no volume de novas lesões cerebrais e nos territórios protegidos pelo dispositivo avaliado por ressonância magnética nuclear em 2 e em 7 dias. Todos os pacientes foram avaliados cognitivamente e todo o material capturado pelo dispositivo foi analisado.

 

A taxa de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares para os que receberam o dispositivo foi de 7,3% e não foi estatisticamente diferente do grupo controle, que alcançou 9,9% (p = 0,41).

 

O volume de novas lesões na ressonância magnética foi de 179 mm³ no grupo controle e de 102,8 mm³ para aqueles com dispositivo de proteção cerebral, o que também não foi significativo.

 

Uma análise multivariada post hoc revelou que o volume das lesões preexistentes e o tipo de valva foram preditores de novas lesões.

 

Os AVC em 30 dias foram de 9,1% no grupo controle e de 5,6% no grupo que recebeu o dispositivo (p = 0,25).

 

A função neurocognitiva foi similar entre os controles e os que receberam o disposto e, ao analisar toda a população, encontrou-se correlação entre o deterioro cognitivo e o volume das lesões (p = 0,0022).

 

Em 99% da população encontraram-se, no filtro, restos de material que incluíram trombos, pedaços de cálcio, tecido de valva nativa, endotélio e material estranho como restos de gazes.

 

Conclusão

O dispositivo de proteção cerebral SENTINEL, desenhado para ser utilizado durante o implante percutâneo da valva aórtica, capturou detritos em 99% dos pacientes. Apesar disso, não conseguiu melhorar a função cognitiva com relação ao grupo controle. A redução no volume das lesões por ressonância magnética também não foi estatisticamente diferente.

 

Título original: Protection Against Cerebral Embolism During Transcatheter Aortic Valve Replacement.

Referência: Samir R. Kapadia et al. J Am Coll Cardiol 2017;69:367–77.


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