A doença vascular periférica se associa a eventos isquêmicos e hemorrágicos após um DES

A doença vascular periférica se associa a eventos isquêmicos e hemorrágicos após um DESOs pacientes com doença vascular periférica têm uma taxa mais alta de eventos cardiovasculares após uma angioplastia coronariana com stents farmacológicos (DES), e ditos eventos poderiam explicar em parte uma maior reatividade plaquetária. O presente trabalho estuda a relação entre a reatividade plaquetária e os eventos clínicos após uma angioplastia coronariana em pacientes com e sem antecedentes de doença vascular periférica.

 

O estudo ADAPT-DES (Assessment of Dual Antiplatelet Therapy With Drug-Eluting Stents) foi um registro prospectivo e multicêntrico de pacientes com doença coronariana tratados com DES. A reatividade plaquetária foi medida com VerifyNow, considerando uma reatividade elevada sob tratamento a uma reação ao receptor P2Y12 > 208 unidades.

 

Foi feita uma análise multivariável ajustada por propensity score para determinar a relação entre doença vascular periférica, a reatividade plaquetária e os subsequentes eventos adversos (definidos como trombose de stent definitiva ou provável, mortalidade por qualquer causa, infarto agudo do miocárdio e sangramento clinicamente relevante).

 

Dos 8.582 pacientes, 10,2% tinham histórico de doença vascular periférica.

 

Os pacientes com doença vascular periférica são mais idosos e com mais comorbidades. No entanto, a reatividade ao receptor P2Y12 sob tratamento não foi significativamente diferente entre os pacientes com doença vascular periférica e sem doença vascular periférica.

 

Os pacientes com doença vascular periférica mostraram em 2 anos uma taxa mais alta de mortalidade por qualquer causa: infarto agudo do miocárdio, trombose do stent e sangramento clinicamente relevante.

 

Aqueles pacientes com alta reatividade plaquetária mostraram, como era esperável, mais eventos, embora isso não tenha sido influenciado pelo antecedente de doença vascular periférica.

 

Na análise ajustada multivariável, tanto a alta reatividade plaquetária quanto a doença vascular periférica foram preditores independentes de infarto agudo do miocárdio em 2 anos.

 

Conclusão

O antecedente de doença vascular periférica se associou a eventos isquêmicos e hemorrágicos em 2 anos de uma angioplastia coronariana bem-sucedida com DES, mas dita associação não parece estar diretamente mediada por uma maior reatividade plaquetária.

 

 

Título original: Platelet Reactivity and Clinical Outcomes After Coronary Artery Implantation of Drug-Eluting Stents in Subjects With Peripheral Arterial Disease. Analysis From the ADAPT-DES Study (Assessment of Dual Antiplatelet Therapy With Drug-Eluting Stents).

Referência: Rajesh Gupta et al. Circ Cardiovasc Interv. 2017;10:e004904.


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