Será o alinhamento da prótese às comissuras nativas o segredo da obstrução coronariana?

Prevenir a obstrução coronariana durante o implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) continua sendo um desafio. Existem técnicas para prevenir (ou ao menos diminuir) a chance de que ocorra dita complicação, que pode ser catastrófica. No entanto, todas elas são – de alguma maneira – paliativas, isto é, servem para nos tirar da complicação. 

obstruccion coronaria

A obstrução coronariana pode significar somente um momento tenso, caso tenha sido prevista com antecedência, ou uma manobra completamente desesperada se nos pegar de surpresa. E depois pode surgir outro problema: o futuro acesso às coronárias. 

Este trabalho – que proximamente será publicado no J Am Coll Cardiol Intv – visa a melhorar o alinhamento das comissuras da prótese com as valvas nativas. 

Controlar o implante da Sapien 3 fazendo a montagem da prótese em orientações específicas não teve um grande impacto no alinhamento, embora o resultado com as autoexpansíveis (CoreValve Evolut e Acurate Neo) tenha sido um pouco mais promissor. 

Tudo isso surge com a expansão das técnicas intervencionistas sobre uma população de baixo risco na qual é necessário pensar em futuros procedimentos coronarianos ou em uma segunda valva, sem falar no risco agudo de obstrução coronariana. 


Leia também: Fibrose miocárdica na estenose aórtica severa: será questão de gênero?


A cirurgia tem uma enorme vantagem neste ponto específico: as valvas originais são removidas e as próteses alinhadas com as comissuras nativas são suturadas. 

O trabalho inclui 828 pacientes que receberam TAVI em 5 centros nos quais se tentou rotar o cateter de implante ou montar a valva em uma orientação específica que melhorasse o alinhamento com as comissuras. 

Todos os esforços conseguiram alinhar a Sapien 3 com ao menos uma comissura em 51,3% das vezes (basicamente uma questão de sorte).


Leia também: Sequelas cardiovasculares da COVID-19.


O alinhamento com a Evolut ou a Acurate esteve longe de ser ideal, mas pelo menos houve uma melhora ao mudar a orientação em comparação com a técnica convencional. 

Título original: Alignment of transcatheter aortic-valve neo-commissures (ALIGN TAVR): impact of final valve orientation and coronary overlap.

Referencia: Tang GHL et al. J Am Coll Cardiol Intv. 2020; Epub ahead of print. 


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