Fibrose miocárdica na estenose aórtica severa: será questão de gênero?

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

A calcificação da valva aórtica e sua consequente estenose leva a uma mudança hemodinâmica no ventrículo esquerdo, produzindo isquemia difusa que causa inflamação, incremento da matriz extracelular, necrose e posterior fibrose difusa. 

Fibrosis miocárdica y género

Na atualidade, com a ressonância magnética (RMN) podemos analisar a arquitetura ventricular e sua função detectando a fibrose (LGE) e seu volume (ECV).

Embora saibamos que há certas diferenças de acordo com a idade, o tempo de desenvolvimento e o sexo, tais diferenças ainda não estão totalmente esclarecidas nem muito bem estratificadas. 

Foram incluídos 175 pacientes, dentre os quais 132 eram homens (75%) e apresentavam pelo menos estenose aórtica leve por eco-Doppler e RMN cardíaca. Também foi analisada a LGE e o ECV.

Não houve diferenças entre homens e mulheres. A idade média foi de 66 anos, o índice de massa corporal foi de 28 kg/m2, não houve diferenças com relação à tensão arterial nem à classe funcional, mas a mulheres apresentaram menos diabetes, dislipidemia e doença coronariana. 


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Observou-se que as mulheres apresentavam ECV (mediam: 29,0% [25º–75º percentis: 27,4% a 30,6%] vs. 26,8% [25º–75º percentis: 25,1% a 28,7%]; p < 0,0001) e uma LGE similar (mediam: 4,5% [25º–75º percentis: 2,3% a 7,0%] vs. 2,8% [25º–75º percentis: 0,6% a 6,8%]; p = 0,20) em comparação com os homens. Na análise multivariada as mulheres foram um fator independente para maior ECV e LGE (p = 0,05). 

Conclusão

As mulheres têm maior fibrose miocárdica difusa e focal independentemente do grau de severidade da estenose aórtica. Estes achados enfatizam ainda mais as diferenças entre mulheres e homens em relação à resposta ao remodelamento ventricular e à sobrecarga de pressão. 

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Título Original: Sex-Related Differences in the Extent of Myocardial Fibrosis in Patients With Aortic Valve Stenosis.

Referência: Lionel Tastet, et al. J Am Coll Cardiol Img 2020;13:699-711.


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