Sequelas cardiovasculares da COVID-19

A injúria miocárdica, definida como um aumento do nível de troponinas, pode ocorrer tanto devido a eventos isquêmicos quanto devido a eventos não isquêmicos. A miocardite seria um exemplo de evento não isquêmico. 

Secuelas cardiovasculares COVID-19

Uma infecção respiratória aguda e severa que cause hipóxia, especialmente pelo novo coronavírus, pode acarretar dita injúria miocárdica. 

Durante a pandemia tem sido relatada a ocorrência de um nível elevado de troponinas marcando diferenças significativas entre os pacientes que se recuperaram e os que faleceram na internação. 

Uma recente metanálise de 4 estudos mostrou que a elevação de troponinas se correlacionou muito bem com aqueles que padeceram uma doença mais severa em comparação com aqueles nos quais a infecção teve um curso clínico mais leve. 

Os relatos sugerem, inclusive, que a injúria miocárdica não só se manifesta como a elevação de marcadores acima do percentil 99 do basal mas também como alterações eletrocardiográficas e ecocardiográficas. Tal cenário é altamente prevalente em pacientes severamente doentes e com mal prognóstico. 


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Estudos de coorte na China estimam que a injúria miocárdica ocorre entre 7% e 17% dos pacientes hospitalizados. Além disso, é muito significativa naqueles que requereram cuidados intensivos (22,2% vs. 2% nos pacientes mais leves; p < 0,001) e ainda mais nos que faleceram (59% vs. 1%; p < 0,001).

Esses níveis de troponina podem se exacerbar nos pacientes com insuficiência renal. 

Estudos prévios com outras espécies de coronavírus (MERS-CoV) demonstraram evidência de miocardite aguda nas imagens de ressonância magnética e a inflamação e o dano miocárdico têm sido constatados em relação ao atual coronavírus. 


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Além dos infartos tipo II (por desequilíbrio entre oferta e demanda), somam-se os pacientes que podem ter manifestações cardiovasculares “clássicas”.

A grande resposta inflamatória e as alterações hemodinâmicas podem levar à ruptura de placas ateroscleróticas em pacientes suscetíveis com o conseguinte infarto tipo I. 

Existe evidência prévia de que os pacientes com influenza ou cursando infecções virais não relacionadas com o vírus da influenza (incluindo outras espécies de coronavírus) podem multiplicar várias vezes seu risco de infarto agudo do miocárdio. 


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Outro problema com esta pandemia é a sobreposição de sintomas que a infecção em si pode ter e as síndromes coronarianas agudas clássicas, incluindo as alterações no eletrocardiograma. Até a metade dos pacientes infectados por Covid-19 com sintomas anginosos e alterações no eletrocardiograma que foram levados à sala de cateterismo não tinham uma lesão culpada óbvia. 

Título original: Cardiovascular Considerations for Patients, Health Care Workers, and Health Systems During the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Pandemic.

Referência: Elissa Driggin et al. https://doi.org/10.1016/j.jacc.2020.03.031.


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