Insuficiência mitral secundária: classificação de acordo com o dano cardíaco e sua implicação prognóstica após a reparação da válvula mitral borda a borda

Já conhecemos o forte impacto que apresenta a insuficiência mitral secundária (SMR) na expectativa e na qualidade de vida.

Insuficiencia mitral secundaria: Clasificación según daño cardiaco y su implicancia pronóstica luego de la reparación de la válvula mitral borde a borde

A maioria dos pacientes que a padecem, apresentam insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção diminuída (HFrEF). A classificação da IC segundo o dano cardíaco demonstrou sua relevância. Isso foi amplamente estudado na doença valvar aórtica e, ademais, há dados sobre os resultados do tratamento médico dos pacientes com HFrEF-SMR quando os mesmos foram divididos por estágios. 

Os pacientes com dilatação do ventrículo esquerdo ou com engrandecimento do átrio esquerdo demonstraram em 3 anos uma taxa de sobrevida de aproximadamente 85%, ao passo que a sobrevida se reduz a 75% em 3 anos com a presença de insuficiência tricúspide ou hipertensão pulmonar. Por sua vez, os pacientes com disfunção do ventrículo direito apresentam o pior prognóstico, com uma taxa de sobrevida de aproximadamente 60% em 3 anos.  

O objetivo deste estudo retrospectivo foi aplicar a classificação da IC comentada anteriormente nos pacientes que são submetidos a reparação da válvula mitral borda a borda (M-TEER) e avaliar as implicações prognósticas dessa classificação em termos de sobrevida e sintomas. 

O desfecho primário (DP) foi definido como mortalidade por todas as causas e sintomas expressos como classe funcional segundo NYHA em 2 anos. A classificação foi feita em 4 estágios: estágio 1 (volume de fim de diástole do VI ≥ 159 ml ou Fej < 50%), estágio 2 (histórico de fibrilação atrial ou um volume de átrio esquerdo indexado > 34 ml/m2), estágio 3 (insuficiência tricúspide ≥ 3 e/ou PSAP > 65 mmHg), estágio 4 (disfunção biventricular). 

Leia também: Há diferenças em termos de resultados clínicos entre a insuficiência renal transitória e persistente nos pacientes com síndrome coronariana aguda após uma estratégia invasiva?

Dos 1354 pacientes incluídos na análise, somente 849 cumpriam com os critérios de inclusão. A idade média foi de 72 anos e havia maior proporção de homens. A maioria se encontrava em estágio 2 (46% dos pacientes), seguido de estágio 4 (29%), estágio 3 (15%) e estágio 1 (10%).

A taxa de sobrevida em 2 anos foi significativamente diferente entre os diferentes estágios (estágio 1: 78,1%, estágio 2: 71,9%, estágio 3: 62,9% e estágio 4: 48,9%; p < 0,01). Por outro lado, foi observada uma maior tendência de sintomas de IC severa que aumentavam com os diferentes estágios, apesar de a diferença não ter sido estatisticamente significativa. 

Finalmente, fez-se uma análise multivariada na qual a função renal, a diabete mellitus, a idade, a classe funcional NYHA IV, a insuficiência mitral depois do M-TEER ≥ 3+ e o aumento no estágio foram preditores de mortalidade por todas as causas em 2 anos. 

Conclusão 

Os pacientes que apresentam HFrFE-SMR em seus diferentes estágios devem ser levados em conta na discussão do Heart Team sobre a estratégia terapêutica a implementar. A divisão em estágios é fácil de ser utilizada e está associada a significativas diferenças em termos de sintomas e sobrevida após o M-TEER. Ademais, isso pode ser útil para identificar pacientes que se beneficiariam de uma intervenção precoce. 

Dr. Andrés Rodríguez

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Staging Heart Failure Patients With Secondary Mitral Regurgitation Undergoing Transcatheter Edge-to-Edge Repair.

Referência: Lukas Stolz, MD et al J Am Coll Cardiol Intv 2022.


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