Subanálise do Registro PULSE: acesso secundário radial vs. femoral

No implante percutâneo da valva aórtica (TAVI), o acesso transfemoral é o mais utilizado devido a suas menores taxas de complicação em comparação com acessos alternativos. Além do acesso primário para passagem do dispositivo, é necessário um acesso secundário para a colocação de um cateter pigtail e para guiar o implante da prótese. Dito acesso secundário, na maioria dos casos, é feito mediante uma segunda punção transfemoral. 

No entanto, a evidência atual sugere que o uso desse acesso se associa com um maior risco de complicações vasculares relacionadas com o acesso. Por isso, a utilização do acesso radial poderia ser uma estratégia mais segura que a transfemoral. Apesar de esta ser uma hipótese atraente, não existem estudos que avaliem especificamente o impacto desta última estratégia para a realização do acesso secundário. 

O objetivo desta subanálise do Estudo PULSE (retrospectivo e multicêntrico) foi avaliar a evidência de complicações vasculares relacionadas com o acesso secundário após o uso do acesso radial (TRSA) vs. o acesso femoral (TFSA) em pacientes submetidos a TAVI. 

Leia também: Anticoagulantes orais de ação direta para trombo ventricular pós-SCACEST.

O desfecho primário foi a incidência de complicações vasculares maiores e menores relacionadas com o acesso secundário. Ditas complicações foram classificadas em sangramento, estenose/oclusão, dissecção e pseudoaneurisma.

Foram analisados 8851 pacientes, dentre os quais 1686 (19%) foram tratados com a estratégia TRSA e 7165 (81%) com TFSA. Para homogeneizar as amostras foi aplicada uma análise de propensão, ficando 512 pacientes em cada grupo. A idade média foi de 82 anos, sendo 49,1% da população constituída por mulheres. 

As complicações vasculares no acesso secundário ocorreram em 0,3% dos pacientes com TRSA vs. 3,2% com TFSA (p < 0,001). Ditas complicações foram classificadas como maiores em 0,2% para TRSA e 1,5% para TFSA, e como menores em 0,1% e 1,7%, respectivamente (p < 0,001 para ambos). No grupo TRSA, nenhum paciente requereu reparação cirúrgica, ao passo que 0,9% dos pacientes do grupo TFSA precisaram de intervenção. 

Leia também: Subanálise do Estudo FAVOR III Europa: diferir a revascularização coronariana segundo o QFR comparado com o FFR.

Por outro lado, as complicações vasculares no acesso primário foram similares entre os dois grupos, com incidência de 11,6% em TRSA e de 11,5% em TFSA (p = 0,93). No entanto, o sangramento tipo III/IV foi menos frequente no grupo TRSA (2,5%) em comparação com o grupo TFSA (4,7%) (p < 0,001). Após a homogeneização das amostras, a taxa de complicações vasculares relacionadas com o acesso secundário foi de 0,2% em TRSA vs. 2,9% em TFSA (P < 0,001). 

Conclusão: Acesso Radial (TRSA) vs. Acesso Femoral (TFSA) em TAVI: Menores Complicações e Maior Segurança

Em pacientes tratados com TAVI transfemoral, o uso de TRSA se associou a menores taxas de complicações relacionadas com o acesso em comparação com TFSA. Esses achados sugerem que o acesso radial pode ser considerado uma estratégia segura em comparação com o acesso femoral para o acesso secundário. 

Título Original: Femoral or Radial Secondary Access in TAVR A Subanalysis from the Multicenter PULSE Registry.

Referência: David Grundmann MD et al JACC Cardiovasc Interv.2024;17:2923–2932.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

Mais artigos deste autor

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...

T-TEER: para além dos limiares tradicionais de hipertensão pulmonar

A insuficiência tricúspide (IT) significativa se associa à deterioração funcional progressiva, a hospitalizações por insuficiência cardíaca (IC) e ao aumento da mortalidade. Nos últimos...

A oclusão do apêndice atrial esquerdo é segura em pacientes com fração de ejeção reduzida?

Os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) foram excluídos dos principais estudos randomizados sobre oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Programa SPYRAL: resultados do seguimento de 3 anos de pacientes tratados com denervação renal

A hipertensão arterial constitui o principal fator de risco modificável para a doença cardiovascular e continua representando um importante desafio para a saúde pública...

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...