Terapêutica endovascular do TEP: será melhor um tratamento mais precoce do que tardio, como no caso do infarto e do AVC?

Os pacientes com tromboembolismo de pulmão (TEP), seja de risco intermediário, seja alto, podem evoluir a uma disfunção do ventrículo direito (VD), o que leva a uma descompensação hemodinâmica severa e a um prognóstico significativamente mais complexo. Em tal caso, a estratégia de reperfusão oportuna – similar à empregada no infarto agudo do miocárdio (IAM) ou no acidente vascular cerebral (AVC) – continua sendo um interrogante clínico não resolvido. 

As terapias baseadas em cateter (TBC), que incluem trombose dirigida por cateter (TDC) e a trombectomia mecânica (TM), surgiram nos últimos anos como opções promissoras. No entanto, a evidência disponível a respeito do momento ótimo para sua implementação continua sendo escassa e limitada. 

Um estudo apresentado no Eurointervention, liderado por Leiva et al., buscou abordar dita incerteza mediante uma análise retrospectiva utilizando os dados da Nationwide Readmissions Database (EUA), correspondentes ao período 2017–2020. Foram incluídos mais de 12.000 pacientes com TEP, dentre os quais 10.145 foram classificados como de risco intermediário e 1.992 como de alto risco. A coorte se dividiu segundo o momento da intervenção: TBC precoce (≤ 1 dia desde a admissão) versus TBC diferida (> 1 dia).

A idade média dos pacientes foi de 61,1 anos; 47,7% eram mulheres. 15,3% receberam TBC tardia, sendo 68,2% tratados com TDC. Em pacientes com TEP de risco intermediário, a aplicação precoce de TBC se associou a uma redução significativa da mortalidade em 90 dias (HR 0,55; IC de 95%: 0,46–0,66), bem como das taxas de reintervenção (HR 0,86; IC de 95%: 0,78–0,95), sangramento maior (OR 0,79; IC de 95%: 0,73–0,87) e duração da estância hospitalar (5,1 dias vs. 7,3 dias; p < 0,001).

Leia também: Tratamento percutâneo da insuficiência mitral funcional atrial.

No grupo de alto risco foi observada uma redução significativa na mortalidade em 90 dias (HR 0,89; IC de 95%: 0,80–0,99) e na estância hospitalar (8,9 vs. 13,4 dias; p < 0,001), embora com benefícios menos pronunciados.

Ao analisar os resultados segundo o tipo de intervenção, evidenciou-se que a TDC precoce apresentou um melhor desempenho do que a TM nos dois grupos de risco. 

Conclusões

Esta análise retrospectiva nacional, que incluiu um elevado número de pacientes, sugere que a aplicação precoce de terapêutica transcateter em pacientes com TEP de risco intermediário ou alto se associa com uma redução significativa da mortalidade em 90 dias, das reintervenções e dos eventos de sangramento maior durante a hospitalização. 

Referência: Leiva O, Rosovsky RP, Alviar C, Bangalore S. Early versus delayed catheter-based therapies in patients hospitalised with acute pulmonary embolism. EuroIntervention. 2025 May 5;21(9):e463-e470. doi: 10.4244/EIJ-D-24-00555. PMID: 40325984.


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Dr. Omar Tupayachi
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Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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