Scaffolds Bioabsorvíveis e seu desempenho em distintas placas segundo OCT

O desenvolvimento de scaffolds (ou andaimes) coronarianos reabsorvíveis (RMS) gerou expectativas para o tratamento percutâneo da doença coronariana, especialmente pela possibilidade de restaurar a vasomotilidade natural após sua reabsorção. No entanto, a experiência clínica com dispositivos prévios, como o Absorb ou a primeira geração do Magmaris, esteve marcada por limitações mecânicas e eventos adversos, como a trombose tardia. 

O DREAMS 3G (Freesolve, Biotronik), baseado em uma liga de magnésio com revestimento de poliácido láctico e eluição de sirolimus (com uma reabsorção completa do magnésio aos 12 meses), representa uma evolução relevante ao oferecer uma combinação de menor espessura de haste e maior fortaleza estrutural. 

O estudo realizado por Aytekin et al. teve como objetivo avaliar a morfologia da placa coronariana mediante OCT (fibrosa, calcificada ou lipídica) e sua influência na perda tardia de lúmen (LLL, late lumen loss) em pacientes tratados com o Freesolve.

O principal desfecho avaliado foi a LLL do andaime em 6 e 12 meses de seguimento. 

Dos 116 pacientes recrutados para o estudo BIOMAG-I, 84 contavam com imagens de OCT antes e depois da intervenção. A idade média da população foi de 61,2 anos, predominando o sexo masculino (79,8%) e com alta incidência de hipertensão arterial e dislipidemia (75% e 65,6%, respectivamente); 15,5% dos pacientes foram admitidos por NSTEMI. 

Leia também: Evolução da oclusão de FOP a longo prazo.

Os resultados mostraram que nem o tipo de placa subjacente nem a ocorrência de má aposição de hastes ou dissecção de bordas se associaram significativamente com um maior LLL durante o seguimento. Ditos achados contrastam com os resultados observados em gerações prévias de scaffolds, como o Magmaris ou o Absorb, nos quais as placas mais fibrosas ou dissecadas se vinculavam com um maior recoil e maior taxa de TVF. 

A explicação proposta pelos autores radica nas melhoras mecânicas do DREAMS 3G, que oferece uma força radial sustentada e uma reabsorção completa em 12 meses, transformando-se em fosfato de cálcio amorfo, sem deixar restos estruturais metálicos nem polímeros. 

Leia também: Implante de marca-passo pós-TAVI em insuficiência aórtica.

Finalmente, as dissecções menores de borda geradas durante a preparação da placa ou a otimização do stent (registradas em um terço dos casos) não tiveram implicações clínicas nem afetaram a LLL em 12 meses, o que provavelmente se relacione com a rápida reabsorção do magnésio e a biocompatibilidade de seus produtos de degradação. 

Conclusões

Diferentemente de dispositivos anteriores, nos quais a dificuldade para alcançar uma adequada aposição do andaime podia gerar trombose no mesmo, no seguimento de 12 meses do estudo BIOMAG-I não foram observados episódios de trombose. Ao avaliar as distintas características da placa tratada, bem como a presença de dissecções menores de borda, não foram observadas diferenças na LLL. Isso evidencia o desempenho melhorado da plataforma RMS.

Título original: The Impact of Underlying Plaque Characteristics Following the Third‐Generation Resorbable Magnesium Scaffold Implantation: An Intravascular OCT Assessment up to 12‐Months.

Referência: Aytekin A, Seguchi M, Xhepa E, Haude M, Wlodarczak A, van der Schaaf RJ, Torzewski J, Garcia-Garcia HM, Waksman R, Joner M. The Impact of Underlying Plaque Characteristics Following the Third-Generation Resorbable Magnesium Scaffold Implantation: An Intravascular OCT Assessment up to 12-Months. Catheter Cardiovasc Interv. 2025 Jun;105(7):1563-1571. doi: 10.1002/ccd.31486. Epub 2025 Mar 16. PMID: 40091374; PMCID: PMC12159389.


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Dr. Omar Tupayachi
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Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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