Registro NAVULTRA: resultados do seguimento de 1 ano de válvulas autoexpansíveis vs. válvulas balão-expansíveis

Nos últimos anos os avanços tecnológicos e a crescente experiência dos operadores têm contribuído significativamente para melhorar os resultados clínicos e procedimentais do implante percutâneo da valva aórtica (TAVI).

Atualmente são utilizadas válvulas intra-anulares autoexpansíveis (SE) e válvulas balão-expansíveis (BE). Recentemente foram desenvolvidas novas gerações dessas válvulas cardíacas transcateter (VCT): a SE Navitor (NAV) (Abbott) e a BE SAPIEN 3 Ultra (ULTRA) (Edwards Lifesciences). Ambas demonstraram resultados muito promissores em comparação com suas versões anteriores. Contudo, falta-nos uma comparação direta entre essas duas próteses. 

O objetivo deste estudo multicêntrico foi comparar os resultados clínicos e ecocardiográficos em 30 dias e em um ano entre as válvulas NAV e ULTRA. 

O desfecho primário (DP) foi a mortalidade por qualquer causa, bem como uma combinação de morte por qualquer causa, acidente vascular cerebral (AVC) e re-hospitalização por insuficiência cardíaca (IC) em um ano. 

A população total do estudo incluiu 3.878 pacientes, dentre os quais 1.746 foram tratados com NAV e 2.176 com ULTRA. Foi aplicada uma análise por escore de propensão, obtendo-se uma coorte emparelhada de 1.363 pacientes. A idade média foi de 81 anos e a maioria da população estava composta por mulheres. O escore STS médio foi de 4,01 e aproximadamente a metade dos pacientes se encontravam em classe funcional NYHA III ou IV. 

Leia também: TAVI em mulheres.

Em um ano, a taxa de mortalidade por qualquer causa foi de 9,7% no grupo NAV e de 9,9% no grupo ULTRA (p = 0,585). Do mesmo modo, não foram observadas diferenças significativas no critério combinado primário (13,6% para NAV e 12,6% para ULTRA; p = 0,218). No entanto, a taxa de implante de novo marca-passo foi maior no grupo NAV (20,6 % vs. 10,6 %; p < 0,01), bem como a re-hospitalização por insuficiência cardíaca (4,6 % vs. 2,8 %; p < 0,05). Em um ano, o uso de NAV se associou com uma maior incidência de regurgitação paravalvar leve (OR: 1,53; IC de 95%: 1,01–2,33; p < 0,05), embora tenha apresentado gradientes transprotéticos médios mais baixos do que os resultados obtidos com o grupo ULTRA (p < 0,01).

Conclusão

O registro NAVULTRA demostrou que em pacientes submetidos a TAVI com as válvulas NAV e ULTRA as taxas de mortalidade por qualquer causa e o critério combinado de mortalidade, re-hospitalização por IC ou AVC incapacitantes em um ano foram comparáveis. Contudo, foram identificadas diferenças nos critérios clínicos secundários e no desempenho hemodinâmico das válvulas. Os achados aqui expostos respaldam a necessidade de que sejam feitos ensaios clínicos randomizados específicos que comparem diretamente ambos os dispositivos intra-anulares. 

Título Original: Transcatheter Aortic Valve Replacement With Intra-Annular Self-Expanding or Balloon-Expandable Valves The Multicenter International NAVULTRA Registry.

Referência: Stefano Cannata, MD et al JACC Cardiovasc Interv. 2025; 18:1557–1568.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Andrés Rodríguez
Dr. Andrés Rodríguez
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

Mais artigos deste autor

Resultados de seguimento de um ano do ENCIRCLE: substituição mitral percutânea em pacientes não candidatos a cirurgia nem a TEER

A insuficiência mitral (IM) sintomática em pacientes não candidatos a cirurgia nem a reparo transcateter borda a borda (TEER) continua representando um cenário de...

É possível que angiografia coronariana substitua a CCG na avaliação das coronárias prévia ao TAVI?

A doença coronariana coexiste em aproximadamente a metade dos pacientes candidatos ao TAVI, o que torna necessária sua avaliação antes do procedimento. A coronariografia...

Valve-in-valve em bioprótesis aórticas pequenas: balão-expansível ou autoexpansível? Resultados de seguimento de 3 anos do estudo LYTEN

A disfunção de biopróteses aórticas cirúrgicas pequenas representa um cenário desafiador para a implante valvar aórtico transcateter (ViV-TAVI) devido à maior incidência de gradientes...

É possível realizar o TAVI de forma segura em pacientes com valva aórtica bicúspide?

A valva aórtica bicúspide (BAV) representa um desafio anatômico para o implante transcateter valvar aórtico (TAVI) devido à frequente presença de anéis elíticos, rafe...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

CHIP LATAM | Capítulo 2 – México: Workshop de Complicações

A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista convida toda a comunidade médica para participar de um workshop virtual sobre complicações organizado pela área de Intervenções...

Angioplastia coronariana guiada por OCT e IVUS na síndrome coronariana aguda: resultados clínicos a longo prazo

A angioplastia coronariana percutânea (ATC) em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) reduziu a mortalidade na fase aguda. No entanto, a SCA recorrente e...

Resultados de seguimento de um ano do ENCIRCLE: substituição mitral percutânea em pacientes não candidatos a cirurgia nem a TEER

A insuficiência mitral (IM) sintomática em pacientes não candidatos a cirurgia nem a reparo transcateter borda a borda (TEER) continua representando um cenário de...