Distúrbios da condução pós-TAVI: implante de MCP definitivo no mesmo dia do procedimento

O TAVI se consolidou como o padrão de tratamento para a estenose aórtica. Nos últimos anos, tem sido adotada uma abordagem minimalista que inclui a alta precoce em centros de alto volume. No entanto, dito enfoque se vê limitado pelas alterações da condução, uma das complicações mais frequentes do TAVI, que requer em uma porcentagem significativa dos casos a colocação de um marca-passo definitivo (MCPd).

Embora os guias recomendem inicialmente a observação com marca-passo temporário para avaliar a recuperação da condução antes de iniciar o implante, dita estratégia prolonga a hospitalização e traz consigo riscos associados à espera. 

Diante de tal panorama, a possibilidade de implantar um MCP definitivo no mesmo dia do procedimento (IMDP) surge como uma alternativa razoável e foi o objetivo do estudo, sendo comparada com a estratégia tradicional de marca-passo temporário e avaliação em 24 horas. 

O estudo multicêntrico de Fisher et al. incluiu 584 pacientes pós-TAVI, sem marca-passo prévio, que desenvolveram bloqueio atrioventricular completo (BAVc) ou de alto grau (BAVag) persistente durante o procedimento (mais de 30 minutos após a colocação da válvula). Na estratégia IMDP, o implante era realizado na mesma sala, imediatamente depois do TAVI, após a reversão da anticoagulação com protamina. 

Do total de pacientes, 27% foram submetidos a implante de MCP definitivo no mesmo dia (IMDP), sendo o restante observado por ao menos 24 horas com marca-passo temporário (n-IMDP). A idade média foi de 81 anos, 50% da população esteve constituída por mulheres, com um STS global de 5,0%. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos, a não ser pelo fato de o grupo IMDP ter apresentado maior prevalência de BAV de primeiro grau preexistente (35,2% vs. 19,9%; p < 0,001).

Leia também: Utilização de dispositivos modificados de placa em lesões calcificadas do tronco.

Os resultados mostraram que 88% dos pacientes do grupo de observação terminou precisando de marca-passo definitivo em 30 dias, com uma mediana de 3 dias até o implante. Em contraste, a estratégia IMDP reduziu significativamente a estadia hospitalar (5 vs. 8 dias; p < 0,001) sem incrementar complicações. Em 30 dias, a dependência de marca-passo e a carga de estimulação ventricular foram altas e similares entre os grupos (> 90%), confirmando que raramente há uma recuperação da condução no contexto estudado. 

Um achado relevante foi que, entre os poucos pacientes que receberam alta sem MCP definitivo, 7,6% apresentaram eventos graves, incluindo morte súbita e bloqueio tardio que requereu implante urgente. 

Em total, somente 11,5% dos pacientes mostrou uma recuperação completa do sistema de condução. Os fatores associados a dita recuperação foram: idade < 75 anos, sexo feminino e uso de válvulas autoexpansíveis. Em ausência de tais fatores, a recuperação ocorreu em casos excepcionais. 

Conclusões

Em pacientes com BAVc/BAVag persistente durante o procedimento, o implante de marca-passo definitivo no mesmo dia se perfila como uma estratégia segura, eficaz e respaldada pela baixa taxa de recuperação espontânea precoce. 

Título original: Same-Day Permanent Pacemaker Implantation Following Transcatheter Aortic Valve Replacement.

Referência: Fischer, Q, Urena, M, Muntané-Carol, G. et al. Same-Day Permanent Pacemaker Implantation Following Transcatheter Aortic Valve Replacement. J Am Coll Cardiol Intv. 2025 Jul, 18 (14) 1776–1785. https://doi.org/10.1016/j.jcin.2025.05.041.


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Dr. Omar Tupayachi
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