Endoleaks após reparo endovascular de aneurisma aórtico complexo: sempre voltar a intervir ou monitorar com CTA?

O reparo endovascular de aneurismas toracoabdominais que requerem uma selagem acima das artérias renais, com preservação dos vasos viscerais mediante dispositivos fenestrados e/ou com ramos (F/B-EVAR), consolidou-se como uma alternativa válida à cirurgia aberta. No entanto, o endoleak contina sendo uma complicação frequente e um potencial determinante do crescimento do saco aneurismático. Em tal contexto, o estudo avaliou se, em ausência de crescimento do saco, uma estratégia de monitoramento estruturada com angiotomografia computadorizada (CTA) poderia evitar reintervenções desnecessárias. 

Características do estudo

SAFE-AAA: ¿Son seguros los dispositivos Endologix en aneurisma de aorta abdominal? Seguimiento a 3 años

Foi realizada uma análise retrospectiva de um único centro na Medical University of Viena (Áustria), incluindo 230 pacientes consecutivos tratados entre 2015 e 2024. A mediana de idade foi de 74 anos e 21% da população correspondeu ao sexo feminino. Todos os pacientes foram submetidos a uma CTA pré-alta. Em dita avaliação inicial, 75% deles apresentaram algum tipo de endoleak. Os pacientes com endoleak tipo I ou III, ou endoleak misto, sem crescimento do saco foram controlados em seguimento de 6 meses, ao passo que aqueles com endoleak tipo II ou sem endoleak foram avaliados em 1 ano. A indicação de reintervenção foi estabelecida perante um crescimento do saco >5 mm em 6 meses ou >10 em 12 meses. 

O desfecho primário foi a resolução espontânea do endoleak. Os desfechos secundários incluíram os fatores clínicos e morfológicos associados, bem como a evolução do volume do saco aneurismático. 

Leia também: É seguro usar fármacos cronotrópicos negativos de forma precoce após o TAVI?

Endoleaks pós F/B-EVAR: quando a vigilância com CTA é uma opção segura

Entre os 172 pacientes com endoleak no momento da alta, a distribuição foi: tipo I 3% (n = 5), tipo II 34% (n = 59), tipo III 19% (n = 33) e endoleak misto 44% (n = 75). Os endoleaks tipo I não mostraram resolução espontânea. Ao contrário, os endoleaks tipo III apresentaram uma elevada taxa de resolução: 25% em 3 meses, 39% em 6 meses, 52% em 12 meses e 83% em 24 meses, sem registro de rupturas durante o seguimento. Os endoleaks mistos mostraram uma menor taxa de resolução (28% em 24 meses), embora a combinação tipo II/III tenha alcançado uma resolução de 50% em 12 meses. 

A análise volumétrica identificou um ponto de corte de 9,37 ml para definir endoleaks “pequenos” e “grandes”. Ambos os grupos apresentaram taxas similares de resolução em um ano (44% vs. 36%); no entanto, em 24 meses os endoleaks pequenos se resolveram com maior frequência (72% vs. 48%). Em total, 19 pacientes apresentaram crescimento significativo do saco e foram avaliados para reintervenção. Na análise multivariada, três preditores se associaram a uma maior probabilidade de resolução espontânea: menor diâmetro máximo aórtico (OR: 0,96; p = 0,011), redução do saco aneurismático (OR: 9,7; p < 0,001) e antecedente de doença arterial periférica (OR: 3,6; P = 0,007). 

Leia também: TMVR transapical em pacientes de alto risco: resultados do seguimento de cinco anos do sistema Intrepid.

Conclusões: vigilância estruturada com CTA após EVAR complexo

Em conclusão, em pacientes submetidos a F/B-EVAR com endoleak tipo III ou misto tipo II/III e sem crescimento do saco na CTA pré-alta, uma estratégia de monitoramento com CTA – em vez de uma reintervenção imediata – foi segura. Observou-se uma resolução espontânea de 83% dos endoleaks tipo III em 24 meses, ausência de rupturas e uma necessidade limitada de reintervenção (8%). Estes achados respaldam uma estratégia conservadora, estritamente protocolizada, em pacientes cuidadosamente selecionados. 

Título Original: CTA Surveillance for Conservative Endoleak Treatment following Complex Endovascular Aneurysm Repair.

Referência: Lukas Fuchs, Anna Sotir, Johannes Klopf, Daria Anokhina, Lina El-Kilany, Florian Wolf, Christoph Neumayer, Wolf Eilenberg. Journal of Vascular Surgery.


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