A expansão do implante transcateter valvar aórtico (TAVI) em pacientes mais jovens e de menor risco tem incrementado a relevância do acesso coronariano pós-procedimento. Nesse contexto, as válvulas autoexpansíveis supra-anulares, por sua maior altura e pelo design do stent, podem dificultar a canulação dos óstios coronarianos, motivo pelo qual otimizar a alinhamento comissural e compreender os determinantes anatômicos de acesso é fundamental. O estudo EPROMPT-CA teve como objetivo avaliar a factibilidade do acesso coronariano imediato após o TAVI com as válvulas Evolut FX e Evolut FX+, bem como identificar preditores tomográficos associados ao sucesso do acesso coronariano seletivo.

Trata-se de um estudo prospectivo e unicêntrico, realizado no MedStar Washington Hospital Center (Estados Unidos), que incluiu 143 pacientes consecutivos com estenose aórtica severa submetidos a TAVI transfemoral entre setembro de 2022 e abril de 2025. Do total, 103 pacientes foram tratados com uma válvula Evolut FX e 40 com uma Evolut FX+. A idade média da população foi de 78 ± 8 anos e 53,8% eram homens. Foram incluídos pacientes de todos os perfis de risco cirúrgico, incluindo 6,3% com válvula aórtica bicúspide Sievers tipo I. Em todos os casos tentou-se o acesso coronariano imediato após o implante, utilizando-se exclusivamente cateteres diagnósticos. Foi realizada tomografia computadorizada cardíaca entre 30 e 60 dias em 76 pacientes (53%).
O desfecho primário foi o sucesso do acesso coronariano, definido como a possibilidade de opacificar adequadamente a artéria coronária mediante canulação seletiva (cateter diretamente ancorado no óstio) ou não seletiva (catéter próximo do óstio, mas como opacificação suficiente). Os desfechos secundários incluíram o tempo de canulação, o volume de contraste utilizado, o número de cateteres empregados e a identificação de preditores anatômicos derivados da tomografia associados com o acesso coronariano seletivo.
Resultados do estudo EPROMPT-CA: alta factibilidade do acesso coronariano após o TAVI com válvulas Evolut FX e FX+
O acesso coronariano foi bem-sucedido em 95,1% das tentativas na artéria coronária esquerda (ACE) e em 83% na artéria coronária direita (ACD). Considerando-se esses acessos bem-sucedidos, a canulação seletiva foi alcançada em 46,2% dos casos para a ACE e em 52,6% para a ACD. Não foram observadas diferenças significativas na taxa global de acesso coronariano bem-sucedido ou entre as válvulas Evolut FX e FX+, embora a válvula FX+ tenha se associado com uma maior eficiência no acesso à ACE, com menor volume de contraste (5,45 ± 4,48 mL vs. 8,92 ± 4,93 mL; p < 0,001) e menor número de cateteres utilizados (1,13 ± 0,33 vs. 1,32 ± 0,58; p = 0,014). O tempo médio de canulação foi baixo para ambas as artérias, com valores médios próximos a 2,5 minutos.
A análise univariada evidenciou que os determinantes anatômicos do acesso coronariano seletivo diferiram entre as duas artérias: na ACE, uma maior altura de óstio e uma maior distância entre a saia da válvula e o óstio se associaram com uma maior probabilidade de canulação seletiva, ao passo que uma maior excentricidade do óstio se relacionou com menor taxa de sucesso (OR: 0,45 por cada 10°; p = 0,03). Na ACD, o acesso seletivo esteve determinado principalmente por maiores dimensões da raiz aórtica e da válvula, incluindo uma maior área valvar nativa e o uso de válvulas de 34 mm. O alinhamento comissural e coronariano não mostraram uma associação positiva com o acesso coronariano seletivo para nenhuma das duas artérias.
Conclusões: eficiência do acesso coronariano pós-TAVI e papel limitado do alinhamento comissural com válvulas Evolut de nova geração
O estudo EPROMPT-CA mostra que o acesso coronariano imediato após o TAVI com válvulas Evolut FX e FX+ é factível na maioria dos pacientes, com maiores taxas de sucesso para a artéria coronária esquerda do que para a direita. Embora a válvula Evolut FX+ não tenha se associado com um incremento significativo do sucesso global do acesso coronariano, seu emprego permitiu uma canulação mais eficiente da artéria coronária esquerda, com menor utilização de contraste e menor necessidade de intercâmbio de cateteres. O alinhamento comissural, mesmo sendo tecnicamente desejável, não se associou de maneira independente com o acesso coronariano seletivo.
Título Original: Coronary Access after TAVR with the 4th and 5th-Generation Self-Expanding Evolut Valves: The EPROMPT-CA Study.
Referência: Lior Lupu, MD, MBA; Toby Rogers, MD, PhD; Waiel Abusnina, MD; Dan Haberman, MD; et al. International Journal of Cardiology, 2025.
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