Preditores a longo prazo da deterioração valvular após o TAVI

O implante transcateter da valva aórtica (TAVI) se consolidou como uma tecnologia inovadora para o tratamento de pacientes com estenose valvar aórtica grave. Inicialmente implementado em pacientes de idade avançada com risco proibitivo ou alto para a substituição cirúrgica da valva aórtica (SAVR), o TAVI se estendeu posteriormente a pacientes cada vez mais jovens e de menor risco, o que estabelece interrogantes em relação à durabilidade valvular. 

Sistema EVOQUE: reemplazo tricuspídeo transcatéter, resultados al año

Um componente crucial de dita durabilidade é a deterioração estrutural valvular (SVD), que implica mudança intrínsecas e estruturais nas válvulas bioprotéticas, incluindo desgaste, ruptura, instabilidade, fibrose, calcificação, fratura ou deformação das hastes, associadas à deterioração hemodinâmica valvular progressiva (HVD). Compreender os mecanismos subjacentes da doença valvar é fundamental para a estratificação do risco, a implementação de estratégias terapêuticas adequadas e o manejo a longo prazo da vida de pacientes mais jovens. Apesar de sua relevância clínica, existem dados limitados sobre os preditores e correlatos prognósticos de dita entidade. 

Características do estudo: gradiente residual pós-TAVI como preditor independente da deterioração estrutural da válvula a longo prazo

O objetivo deste estudo foi pesquisar a associação entre o gradiente médio residual precoce pós-procedimento (ERMPG) após o TAVI e a taxa SVD a longo prazo, bem como a relação entre a SVD, a falha da válvula bioprotética (BVF) e a mortalidade em 10 anos. 

Leia também: Acesso coronariano após o TAVI com válvulas EVOLUT de quarta e quinta gerações: estudo EPROMPT-CA.

Foram consideradas tanto a SVD moderada quanto a grave. A SVD moderada foi definida como: (1) uma HVD com um aumento do gradiente aórtico médio ≥ 10 mmHg desde a alta ou a ecografia realizada em 90 dias até a última ecocardiografia disponível, com um gradiente médio final ≥ 20 mmHg; ou (2) a nova ocorrência ou o incremento do grau de insuficiência aórtica intraprotética que resultasse em insuficiência aórtica moderada ou grave. 

A SVD grave foi definida como: (1) uma HVD com um aumento do gradiente médio ≥ 20 mmHg desde a alta ou a ecocardiografia realizada após 90 dias até a última ecocardiografia disponível, com um gradiente médio final ≥ 30 mmHg; ou (2) a nova ocorrência ou um aumento de dois ou mais graus de insuficiência aórtica intraprotética que resultasse em insuficiência aórtica grave. Outro objetivo principal do estudo foi analisar a associação da SVD com a BVF, a mortalidade por qualquer causa e a mortalidade cardiovascular em 10 anos de seguimento. 

Entre setembro de 2007 e dezembro de 2014, um total de 1291 pacientes submetidos a TAVI com válvulas CoreValve/Evolut cumpriram os critérios de inclusão. Após uma mediana de seguimento de 59,4 meses, 46 pacientes desenvolveram SVD, o que representou uma incidência acumulada de 3,6%. Observou-se um aumento significativo e progressivo do risco de SVD ao longo dos tercis de ERMPG (P = 0,009) e, na análise multivariável, o ERMPG foi identificado como preditor independente de SVD (HR 1,05; intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,01–1,08; p = 0,004). 

Leia também: TEER mais tratamento ótimo versus apenas tratamento médico na insuficiência mitral funcional.

Dos 46 pacientes com SVD, 25 (54,3%) apresentaram ou desenvolveram BVF. A SVD se associou com maiores taxas de mortalidade em 10 anos por todas as causas (HR 2,12; IC de 95%: 1,49–3,00; p < 0,001) e de mortalidade cardiovascular (HR 5,78; IC de 95%: 2,63–12,71; p < 0,001), em comparação com os pacientes sem SVD. 

Conclusão: impacto da deterioração valvar estrutural após o TAVI na falha protética e na mortalidade em seguimento de 10 anos

Em pacientes com estenose valvar aórtica grave submetidos a TAVI com o sistema CoreValve/Evolut, o ERMPG se associou de maneira independente com o desenvolvimento de SVD a longo prazo. A presença de SVD, definida por mudanças seriadas nos gradientes médios avaliados por Doppler ou pela ocorrência de insuficiência aórtica intraprotética, se vinculou com um risco superior a 50% de BVF. Além disso, os pacientes afetados apresentaram maiores taxas de mortalidade total e cardiovascular do que aqueles sem SVD. 

Título Original: Predictors of long-term structural valve deterioration and failure after transcatheter aortic valve implantation.

Referência: EuroIntervention 2026;22:e90-e100 • Tullio Palmerini et al.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Andrés Rodríguez
Dr. Andrés Rodríguez
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

Mais artigos deste autor

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....

Quando considerar a oclusão do apêndice atrial esquerdo depois de um sangramento maior em contexto de fibrilação atrial?

A fibrilação atrial (FA) em pacientes que apresentam um sangramento maior representa um cenário clínico complexo no qual a oclusão percutânea do apêndice atrial...

Nova válvula aórtica balão-expansível: resultados de seguimento de 30 dias em pacientes com anel aórtico pequeno

À medida que o implante transcateter valvar aórtico (TAVI) se estende a pacientes cada vez mais jovens e com maior expectativa de vida, fatores...

TAVI em anel aórtico pequeno: válvula autoexpansível ou balão-expansível a longo prazo?

Os pacientes com anel aórtico pequeno (uma população predominantemente feminina e com maior risco de mismatch prótese-paciente) representam um subgrupo particularmente desafiador no que...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

Espaço do Fellow 2026 – Envíe seu Caso

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) relança este ano o Espaço do Fellow 2026, uma...

Fechamento de leak paravalvar por via transcateter: resultados em médio prazo e fatores prognósticos

Os leaks paravalvares (PVL) constituem uma complicação frequente após a substituição valvar cirúrgica, com incidência que varia entre 5% e 18% nas válvulas protéticas....