A aterectomia rotacional (AR) continua sendo uma ferramenta muito útil no manejo da calcificação coronariana severa. No entanto, muitos de seus detalhes técnicos se baseiam mais na experiência do que em evidência. Entre as variáveis em jogo durante o procedimento, podem ser consideradas o tipo de guia utilizado (Rotawire floppy ou extra-support) e a velocidade da ablação.

O grupo de Kawamura et al. realizou um trabalho experimental no qual avaliou a interação entre a velocidade de ablação e o tipo de rotawire quanto à direção e ao padrão de modificação da placa. O estudo foi realizado a partir de um modelo in vitro com o simulador HEARTROID e com uma análise pré e pós-procedimento por OCT, em 20 lesões calcificadas da artéria descendente anterior do modelo. Compararam-se dois tipos de guias, floppy e extra-support, a velocidades de 140.000 e 190.000 rpm.
Os resultados da simulação mostraram que a combinação do guia extra-support com alta velocidade apresentou a menor discrepância entre a posição esperada e a direção real da ablação (wire bias), isto é, um comportamento mais controlado. Em contraposição, com o guia floppy, a alta velocidade se associou a uma maior discrepância entre a ablação esperada e a observada em comparação com a baixa velocidade.
Ao avaliar a área da ablação, observou-se que, com o guia floppy, houve uma tendência a maior debulking em baixa velocidade, embora sem diferenças significativas. Por outro lado, com o guia extra-support, a alta velocidade se associou a uma maior área ablacionada e maior profundidade em comparação com a baixa velocidade, o que sugere que o efeito da velocidade depende em grande medida do suporte do guia.
Outra variável avaliada foi a posição do cateter-guia. Foram observadas modificações na órbita do guia e na direção da ablação conforme a posição do cateter dentro da artéria, descrita como mais superficial ou mais profunda (deep intubation), com um comportamento mais preciso quando a posição era mais profunda.
Conclusões
A principal limitação do estudo é seu caráter experimental e a ausência de eventos clínicos. Contudo, conhecer o comportamento do material é relevante e, a partir desses dados, é possível sugerir que na aterectomia rotacional a combinação de guia extra-support com uma ablação rápida (190.000 rpm) mostrou o efeito mais previsível e controlado no modelo testado.
Título original: Difference Between Low‐Speed and High‐Speed Rotational Atherectomy Using Two Types of Guidewires.
Fonte: Kawamura A, Okayama K, Nohara H, Nakano T, Sakata Y. Difference Between Low-Speed and High-Speed Rotational Atherectomy Using Two Types of Guidewires. Catheter Cardiovasc Interv. 2026 Feb 9. doi: 10.1002/ccd.70514. Epub ahead of print. PMID: 41662389.
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