MitraClip no “mundo real”: evolução a médio prazo

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

É sabido que os resultados da estratégia edge-to-edge com MitraClip melhoraram, especialmente os resultados imediatos e a curto prazo. Isso se deve fundamentalmente à maior experiência dos operadores e à chegada do eco 3-D. No entanto, não dispomos de trabalhos com seguimento a médio prazo, exceto pelo estudo EVEREST, que teve seguimento de 5 anos quando os primeiros passos começaram a ser dados.

La reparación de la válvula mitral con Mitraclip es segura en pacientes de alto riesgo

Foram analisados 339 pacientes que receberam MitraClip. A causa da insuficiência mitral foi funcional (FMR) em 242 casos e degenerativa (DMR) nos 97 restantes.

Os grupos foram similares, mas os pacientes que apresentavam DMR eram mais velhos, estava composto majoritariamente por mulheres, tinham menos doença coronariana, Pro BNP mais baixo, fração de ejeção mais alta (57% vs. 27% p < 0,001) e diâmetros e volumes ventriculares menores.

Em ambos os grupos a maioria recebeu mais de um clip. O sucesso do implante (IM ≤2+) foi de aproximadamente 95% e a área valvar residual foi de 2,6 cm2.


Leia também: Devemos começar a utilizar o acesso retrógrado na isquemia crítica crônica?


Em 5 anos de seguimento a sobrevida foi de 53,5% para as FMR e de 57,1% para as DMF (p = 0,18). A sobrevida foi reduzida no grupo FMR pela remodelagem do ventrículo esquerdo e no grupo DMR pela deterioração da classe funcional. Ambos os conjuntos melhoraram a classe funcional e não houve diferença no que se refere à presença de IM ≥ 3 (23,7% vs. 27,9%).

Conclusão

A evolução em 5 anos na experiência de um único centro no “mundo real” para os pacientes com insuficiência mitral severa que receberam MitraClip demonstrou que mais da metade dos pacientes sobreviveu. Aproximadamente 3 de cada 4 estavam livres de insuficiência mitral de ¾+, tanto nas DMR quanto nas FMR. Houve uma melhora dos sintomas que se manteve no tempo. O avanço na remodelagem ventricular, a progressão dos sintomas e uma redução subótima da IM se associou a uma má evolução. Melhorar a seleção de pacientes, incrementar a eficácia e dispor de maior informação serão requisitos necessários para aperfeiçoar os resultados a longo prazo.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Título original: Mid-term outcomes (up to 5 years) of percutaneous edge-to-edge mitral repair in the real-world according to regurgitation mechanism: A single-center experience.

Referência: Nicola Buzzatti, et al. Catheter Cardiovasc Interv. 2018;1–9.


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